O Quênia iniciou recentemente a etapa de contratação de operadores privados para ativos estratégicos dos portos de Mombasa e Lamu. O avanço ocorreu após o Comitê de Parcerias Público-Privadas do país aprovar os estudos de viabilidade dos projetos.
A primeira fase foi dividida em três licitações. Uma abrangerá os berços 11 a 14 do Porto de Mombasa, enquanto outra será destinada ao Terminal de Contêineres 1. A terceira reunirá o terminal de contêineres de Lamu e a zona econômica especial localizada nas proximidades.
A previsão é que o contato formal com investidores comece em setembro. Os contratos serão concedidos por meio de processos competitivos, de acordo com a Diretoria de Parcerias Público-Privadas do governo queniano.
Modelo landlord
O país pretende aproximar os dois portos do chamado modelo landlord. Nesse sistema, a Autoridade Portuária do Quênia mantém a propriedade da infraestrutura e a supervisão estratégica, enquanto empresas privadas assumem operações e aportam capital, equipamentos e conhecimento técnico.
Mombasa funciona como a principal porta marítima do Quênia e atende países do interior da África Oriental. Lamu, por sua vez, integra um projeto mais amplo de infraestrutura e desenvolvimento regional, com potencial para criar novas conexões comerciais com Etiópia e Sudão do Sul.
A associação do terminal de Lamu à zona econômica especial procura atrair indústrias, centros logísticos e atividades de processamento próximas ao porto. Essa integração pode ampliar o valor agregado das cargas e estimular investimentos além das operações tradicionais de embarque e desembarque.
As concessões podem aumentar a eficiência e a capacidade portuária do Quênia, mas exigirão contratos transparentes e mecanismos de fiscalização capazes de preservar os interesses públicos. A relevância regional de Mombasa e Lamu faz com que as decisões sobre tarifas, acesso à infraestrutura e prioridades de investimento afetem cadeias logísticas de vários países africanos.






