A Arauco está construindo uma ferrovia própria para transportar a produção da futura fábrica de celulose do Projeto Sucuriú, em Inocência, Mato Grosso do Sul, até a Malha Norte. A partir dessa conexão, a carga seguirá por aproximadamente 1.050 quilômetros sobre trilhos até o Porto de Santos, de onde será exportada.
Com investimento industrial estimado em US$ 4,6 bilhões, cerca de R$ 25 bilhões, a unidade terá capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas anuais de celulose de fibra curta. A previsão é iniciar as operações no final de 2027, marcando a entrada da divisão de celulose da companhia chilena no Brasil.
Denominada EF-A35, a ferrovia terá 45 quilômetros fora do complexo industrial e aproximadamente nove quilômetros de trilhos dentro da fábrica. O ramal será conectado à Malha Norte, operada pela Rumo, e está entre os primeiros projetos privados a avançar no modelo de autorização criado pelo novo marco ferroviário.
Estrutura logística
A estrutura logística terá 26 locomotivas e 721 vagões. Cada composição poderá transportar até 9,6 mil toneladas de celulose. As primeiras locomotivas do modelo ES44, fabricadas pela Wabtec em Contagem, Minas Gerais, já foram recebidas pela empresa.
Segundo a Arauco, o uso da ferrovia poderá evitar cerca de 190 viagens diárias de caminhões pelas rodovias da região. A companhia estima ainda uma redução de até 94% nas emissões de dióxido de carbono em comparação com uma operação equivalente realizada predominantemente por transporte rodoviário.
A fábrica está sendo implantada em uma área de aproximadamente 3,5 mil hectares, a cerca de 50 quilômetros do centro de Inocência. Durante a construção, a empresa prevê gerar mais de 14 mil oportunidades de trabalho. Depois da entrada em operação, cerca de 6 mil pessoas deverão atuar nas atividades industriais, florestais e logísticas associadas ao projeto.
A integração entre fábrica, ferrovia e Porto de Santos mostra que a competitividade portuária começa longe do cais. Ao controlar parte relevante de sua cadeia logística, a Arauco busca reduzir custos, emissões e riscos de interrupção no escoamento. Para Santos, o projeto representa a perspectiva de receber milhões de toneladas adicionais de celulose por ano, exigindo capacidade ferroviária, armazenagem e eficiência portuária compatíveis com a nova escala.






