A propulsão eólica terá sua maior participação até hoje na SMM 2026, uma das principais feiras mundiais da indústria naval. O evento será realizado entre 1º e 4 de setembro, em Hamburgo, na Alemanha, com expectativa de reunir cerca de 45 mil profissionais do setor.
Segundo a International Windship Association (IWSA), 40 empresas e instituições associadas apresentarão soluções ou participarão de atividades relacionadas ao uso do vento na navegação. A programação envolve fabricantes de equipamentos, armadores, estaleiros, fornecedores e desenvolvedores de projetos de descarbonização.
Entre as tecnologias disponíveis estão velas rígidas, rotores cilíndricos, asas de sucção e sistemas automatizados capazes de ajustar o aproveitamento do vento às condições da viagem. Esses equipamentos não substituem necessariamente os motores convencionais, mas podem reduzir a potência exigida e, consequentemente, o consumo de combustível.
Expansão dos pedidos
Mais de 100 embarcações comerciais já operam com algum tipo de propulsão eólica, somando capacidade superior a 6 milhões de toneladas de porte bruto. A expansão dos pedidos para mais de um navio da mesma frota indica que a tecnologia começa a ultrapassar a fase de demonstrações isoladas.
O interesse dos armadores é impulsionado pela necessidade de cumprir metas internacionais de redução de emissões e controlar os custos com combustíveis. A Organização Marítima Internacional estabeleceu o objetivo de alcançar emissões líquidas zero no transporte marítimo por volta de 2050.
A economia obtida com o vento varia conforme o tipo de embarcação, a rota, as condições meteorológicas e o equipamento instalado. Navios com grandes áreas disponíveis no convés podem ter maior facilidade para receber os sistemas, enquanto porta-contêineres e embarcações com restrições de altura exigem adaptações específicas.
A propulsão eólica não resolverá isoladamente o desafio climático da navegação, mas pode gerar reduções imediatas de consumo sem depender da disponibilidade de novos combustíveis em todos os portos. Para o Brasil, país com extensa costa e corredores marítimos expostos a ventos regulares, o avanço comercial abre espaço para estudos em cabotagem, transporte de granéis e apoio marítimo. O aproveitamento desse potencial dependerá de testes em rotas nacionais e da capacidade de integrar fabricantes, armadores, universidades e estaleiros.






