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Saiba como a inteligência artificial pode reduzir emissões no acesso aos portos

Um estudo publicado recentemente na revista científica Frontiers in Marine Science propõe o uso de inteligência artificial para organizar o tráfego de embarcações nos canais de acesso aos portos. O modelo procura equilibrar eficiência operacional, segurança da navegação e redução de emissões.

Canais portuários concentram navios com diferentes tamanhos, velocidades e horários de chegada. Quando o fluxo não está adequadamente coordenado, as embarcações podem permanecer em espera, realizar ajustes sucessivos de velocidade e consumir mais combustível.

A pesquisa incorpora as condições do vento ao planejamento. Dependendo de sua direção e intensidade, o vento pode aumentar a potência necessária para manter a velocidade, alterar o tempo de trânsito e limitar determinadas manobras.

Algoritmo de aprendizado

Os pesquisadores desenvolveram um algoritmo de aprendizado por reforço com múltiplos objetivos. Em vez de indicar uma única solução, o sistema oferece alternativas que variam conforme a prioridade do porto, como reduzir emissões ou preservar a velocidade do atendimento.

O modelo foi testado em um cenário baseado no canal de acesso ao Porto de Caofeidian, na China. Na configuração considerada equilibrada, a redução das emissões chegou a 11,41% em comparação com a ordem tradicional de atendimento por chegada. Em contrapartida, o tempo médio no sistema aumentou 7,49%.

Na alternativa voltada prioritariamente à descarbonização, as emissões diminuíram 21,79%, mas o tempo médio cresceu 17,29%. Já a política orientada à eficiência conseguiu uma redução mais modesta tanto no tempo, de 1,41%, quanto nas emissões, de 0,38%.

Os resultados foram obtidos por simulação e com base em um único porto, o que ainda exige validação em operações reais e em diferentes configurações de canal. Mesmo assim, o estudo evidencia uma escolha importante para os gestores: nem sempre a maior redução de carbono coincide com a maior velocidade operacional. A utilidade da inteligência artificial estará justamente em apresentar essas compensações com antecedência, permitindo decisões transparentes e ajustadas à realidade de cada complexo portuário.

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