Um plano do governo dos Estados Unidos para conceder áreas do fundo do Oceano Pacífico à exploração mineral provocou resistência de autoridades locais, comunidades indígenas e organizações ambientais. A proposta abrange aproximadamente 28 milhões de hectares próximos a Guam e às Ilhas Marianas do Norte.
As licenças permitiriam que empresas realizassem pesquisas e avaliassem a possível extração de nódulos polimetálicos. Essas formações encontradas no leito oceânico podem concentrar minerais utilizados em baterias, equipamentos eletrônicos, sistemas de defesa e tecnologias de energia.
O leilão das áreas está previsto para 16 de dezembro de 2026. O governo das Ilhas Marianas do Norte terá prazo para apresentar observações sobre o processo, enquanto autoridades norte-americanas afirmam que as licenças iniciais não representam autorização automática para iniciar a extração comercial.
Estudos e transparência
A garantia não reduziu a preocupação regional. O governo de Guam declarou oposição à mineração submarina enquanto os impactos ambientais não forem devidamente conhecidos. Nas Ilhas Marianas do Norte, autoridades também pedem estudos abrangentes e maior transparência antes de qualquer decisão.
A controvérsia ocorre paralelamente ao avanço de outro processo nas proximidades da Samoa Americana, envolvendo cerca de 12,4 milhões de hectares. O governo local teme que a atividade prejudique a indústria do atum, uma das principais bases econômicas do território.
Organizações ambientais alertam que máquinas utilizadas no fundo do mar podem remover habitats, levantar plumas de sedimentos e introduzir substâncias na cadeia alimentar. O ruído produzido durante a pesquisa e a extração também é apontado como risco para mamíferos marinhos e outras espécies.
A disputa expõe o conflito entre a corrida por minerais críticos e a proteção de ecossistemas ainda pouco conhecidos. O valor econômico potencial dos depósitos é elevado, mas também é grande a incerteza sobre danos que podem ser irreversíveis. Sem conhecimento científico suficiente e participação das comunidades costeiras, a exploração tende a transferir os riscos ambientais para territórios que dependem diretamente do oceano, enquanto os benefícios econômicos podem permanecer concentrados em empresas e governos distantes.






