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Coreia do Sul testa rota marítima pelo Ártico para ligar Busan à Europa

A Coreia do Sul iniciou sua primeira viagem comercial experimental de um porta-contêineres pela Rota Marítima do Norte, no Ártico. O navio PanStar Acro deixou o Porto de Busan em 22 de agosto e deverá completar o percurso de ida e volta em um período estimado entre 40 e 45 dias.

A embarcação seguirá pela Península de Kamchatka, no leste da Rússia, atravessará o Mar de Bering e navegará ao longo da costa russa no Ártico. Na Europa, estão previstas escalas em Felixstowe, no Reino Unido, Roterdã, nos Países Baixos, e Gdańsk, na Polônia.

Com capacidade para 2.758 TEUs, o navio transporta 837 TEUs nesta viagem, incluindo peças automotivas, produtos químicos e cerca de 100 contêineres vazios. A operação recebe apoio do governo sul-coreano e servirá para avaliar tempo de trânsito, consumo de combustível, custos operacionais, seguros e confiabilidade.

Rota Busan-Roterdã

A rota entre Busan e Roterdã pelo Ártico possui aproximadamente 13 mil quilômetros. A distância pode ser cerca de 7 mil quilômetros menor do que o percurso tradicional pelo Canal de Suez, com uma redução estimada de dez dias no tempo de viagem.

O governo sul-coreano pretende utilizar os resultados para avaliar a possibilidade de transformar o corredor em uma rota comercial regular até 2030. A iniciativa também integra a estratégia de ampliar a importância de Busan como centro logístico entre a Ásia e a Europa.

A viagem ocorre em um momento de maior instabilidade nas rotas tradicionais. As restrições no Estreito de Ormuz e os riscos no Oriente Médio ampliaram o interesse por caminhos alternativos. A China também vem avançando em serviços sazonais pelo Ártico e passou a operar uma rota regular em 2026.

A navegação, entretanto, depende de permissões e serviços fornecidos pela Rússia, o que pode gerar dificuldades diante das sanções relacionadas à guerra na Ucrânia. Gelo, condições meteorológicas, custos de seguro e uma janela anual limitada também reduzem a previsibilidade do corredor.

O teste poderá comprovar ganhos de distância e tempo, mas isso não basta para transformar a passagem em concorrente direta de Suez. Uma rota comercial exige frequência, segurança, capacidade de resposta a acidentes e impacto ambiental controlado. No Ártico, esses requisitos são especialmente relevantes porque o aumento da navegação ocorre justamente em uma região aberta pela redução do gelo e altamente sensível às mudanças climáticas.

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