As restrições à navegação no Estreito de Ormuz provocaram forte impacto nas operações portuárias da AD Ports Group nos Emirados Árabes Unidos. A movimentação de contêineres nos terminais do grupo dentro do país caiu 65% no segundo trimestre de 2026, para 573 mil TEUs, na comparação com o mesmo período do ano anterior.
O efeito também atingiu outros segmentos. A movimentação de granéis e cargas gerais nos portos dos Emirados recuou 67%, para 3,1 milhões de toneladas no trimestre. Segundo a companhia, os dois resultados refletem diretamente as interrupções das rotas marítimas provocadas pela crise no Estreito de Ormuz.
A redução do fluxo levou a utilização da capacidade dos terminais de contêineres da companhia nos Emirados a apenas 22%, enquanto os ativos internacionais apresentaram índice de 61%. A receita da divisão portuária caiu 17%, para 609 milhões de dirhams, e o EBITDA do segmento teve retração de 23%.
Corredores alternativos
A AD Ports buscou reduzir o impacto com a utilização de corredores alternativos pelos terminais de Fujairah e pelo Porto de Khor Fakkan, localizados na costa oriental dos Emirados e voltados para o Golfo de Omã. A expansão internacional da companhia também ajudou a diminuir sua dependência das operações diretamente expostas a Ormuz.
O contraste aparece nos resultados consolidados. Apesar do choque sobre os portos domésticos, outros negócios do grupo avançaram, especialmente navegação, logística e zonas econômicas. A receita da área de transporte marítimo e navegação aumentou 62% no trimestre, impulsionada por maior capacidade e pela elevação dos fretes em diferentes rotas.
A situação demonstra como uma interrupção em um estreito marítimo pode alterar não apenas as rotas dos navios, mas a própria economia de terminais localizados próximos ao ponto de tensão. Antes do atual conflito, cerca de um quinto do petróleo e do GNL comercializados mundialmente passava por Ormuz, o que torna qualquer restrição à navegação um fator de pressão sobre energia, fretes, seguros e cadeias logísticas internacionais.
Para os operadores portuários da região, a crise também reforça o valor estratégico de infraestruturas capazes de acessar o Oceano Índico sem depender diretamente da passagem pelo estreito. A utilização de terminais alternativos tende a ganhar peso enquanto persistirem as restrições à circulação marítima.






