A Marinha do Brasil passou a integrar recentemente uma iniciativa internacional dedicada ao uso seguro de novas tecnologias nucleares no setor marítimo. O programa ATLAS foi lançado em Washington, nos Estados Unidos, com a participação da Agência Internacional de Energia Atômica e da Organização Marítima Internacional.
O Brasil será representado pela Secretaria Naval de Segurança Nuclear e Qualidade, órgão regulador nuclear da Marinha. A instituição participará dos seis grupos de trabalho criados para estudar normas de segurança, regulação, classificação marítima, salvaguardas, proteção física e um roteiro para a implantação das tecnologias.
De acordo com a Agência Marinha de Notícias, uma das possibilidades avaliadas é a utilização de pequenos reatores modulares na propulsão de navios comerciais. Esses sistemas também poderão ser instalados em plataformas flutuantes para produzir eletricidade destinada a comunidades costeiras e atividades industriais.
Redução de emissões
O interesse pelas aplicações nucleares ocorre enquanto o transporte marítimo busca alternativas para reduzir suas emissões. O setor responde por mais de 80% do volume do comércio internacional de mercadorias, enquanto a estratégia climática da IMO estabelece o objetivo de alcançar emissões líquidas zero até 2050.
A adoção da tecnologia depende de questões que vão além do projeto dos reatores. Licenciamento, responsabilidade civil, segurança cibernética, proteção física, certificação dos navios e infraestrutura portuária precisam ser compatibilizados entre países e autoridades diferentes.
Ao participar desde a fase inicial da iniciativa, o Brasil poderá acompanhar a formação das regras que futuramente orientarão esse mercado. Antes de uma adoção comercial em escala, porém, será necessário construir um sistema regulatório capaz de acompanhar instalações móveis que atravessam diferentes jurisdições marítimas.






