O programa GreenScreen anunciou a primeira emissão de créditos de carbono certificados pelo Gold Standard a partir de reduções de emissões obtidas com melhorias de eficiência em navios comerciais.
Desenvolvido pela Marsoft Global Carbon Solutions em parceria com a ClimeCo, o modelo mede a economia de combustível proporcionada por adaptações realizadas nas embarcações. As reduções verificadas podem ser convertidas em créditos negociados no mercado voluntário de carbono.
As intervenções podem envolver equipamentos e alterações destinados a melhorar o desempenho energético dos navios. Ao consumir menos combustível para realizar a mesma atividade de transporte, a embarcação reduz suas emissões de dióxido de carbono.
Novas modernizações
A proposta é direcionar parte da receita dos créditos para financiar novas modernizações. O mecanismo procura enfrentar uma dificuldade recorrente do setor: os custos iniciais dos equipamentos, que podem retardar investimentos mesmo quando há possibilidade de economia de combustível ao longo da operação.
A metodologia precisa comparar o desempenho posterior do navio com um cenário de referência e demonstrar que a redução está associada à intervenção realizada. Também é necessário evitar que uma economia já exigida por lei ou financeiramente inevitável seja contabilizada como benefício adicional.
A emissão representa um passo na aproximação entre transporte marítimo e mercado de carbono. Até agora, grande parte das discussões sobre descarbonização naval tem se concentrado em combustíveis alternativos e novos navios, enquanto a frota existente continuará operando durante muitos anos.
Os créditos podem ajudar a viabilizar melhorias, mas a credibilidade do sistema dependerá da qualidade das medições e da chamada adicionalidade, ou seja, da comprovação de que a redução não ocorreria sem o incentivo financeiro. Se esses requisitos forem frágeis, o mecanismo corre o risco de gerar ativos contábeis sem promover cortes reais. O valor da iniciativa estará em acelerar investimentos verificáveis, e não em substituir metas diretas de redução de emissões.






