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Por que operar cruzeiros no Brasil pode custar até 50% mais?

Operar um cruzeiro de sete noites na costa brasileira pode custar entre 40% e 50% mais do que realizar uma viagem semelhante no Caribe, no Mediterrâneo ou nas Ilhas Canárias. A diferença reduz a competitividade do país e dificulta a atração de novas companhias e embarcações.

Representantes do setor apontam como principais entraves as taxas portuárias, os custos da praticagem, o preço do combustível e a complexidade tributária. A concentração das viagens no verão também limita o aproveitamento da infraestrutura e desencoraja operações durante todo o ano.

O Brasil apresenta uma das menores taxas de penetração do turismo de cruzeiros entre os mercados com potencial para a atividade. Enquanto aproximadamente 6% da população dos Estados Unidos realiza esse tipo de viagem, o índice brasileiro é de apenas 0,35%. A CLIA Brasil avalia que alcançar 1% permitiria praticamente triplicar o setor no país.

Infraestrutura portuária

A infraestrutura portuária representa outro obstáculo. Em diferentes cidades, terminais de passageiros dividem espaço com movimentações de carga e não estão preparados para receber os navios mais recentes, que possuem dimensões maiores e novas demandas operacionais.

O atraso também envolve a transição energética. A expectativa da indústria é que, até 2028, 72% da frota mundial tenha capacidade para utilizar shore power, sistema que permite aos navios receber eletricidade do porto e desligar os motores durante a atracação. A oferta dessa tecnologia ainda é limitada nos terminais brasileiros.

Apesar dos entraves, a temporada 2026/2027 indica recuperação, com oito navios, mais de 190 roteiros e cerca de 830 mil leitos ofertados. A projeção do setor é movimentar aproximadamente R$ 6 bilhões, considerando as operações de cabotagem e as escalas de embarcações internacionais.

A redução dos custos e a modernização dos terminais teriam efeitos que ultrapassam as companhias marítimas. Cruzeiros movimentam hospedagem, alimentação, transporte, comércio e serviços turísticos nas cidades costeiras. Sem maior coordenação regulatória e investimentos portuários, porém, o Brasil corre o risco de ampliar a demanda sem transformar seu extenso litoral em uma operação mais contínua e competitiva.

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