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Estiagem eleva custo do transporte de cargas para Manaus

A estiagem na Amazônia começou a produzir efeitos sobre o transporte de cargas destinado a Manaus. Com a redução do nível dos rios e a perspectiva de restrições à navegação, empresas do setor marítimo anunciaram cobranças adicionais para compensar os custos operacionais.

A MSC Brasil informou que aplicará, a partir de 5 de setembro, uma sobretaxa por baixo nível da água aos contêineres enviados para Manaus. A cobrança será de US$ 1.400 por unidade de carga seca e poderá chegar a US$ 1.900 no caso de contêineres refrigerados.

Outras companhias também acompanham a situação e podem ajustar suas operações. Quando o calado disponível diminui, os navios precisam reduzir a quantidade de carga transportada ou interromper a viagem antes de chegar à capital amazonense.

Píer temporário

O Grupo Chibatão se prepara para reativar um píer temporário em Itacoatiara, município localizado a cerca de 270 quilômetros de Manaus por via fluvial. A estrutura permite retirar os contêineres de navios de maior porte e transferi-los para balsas com menor calado, capazes de completar o trajeto mesmo em condições mais restritivas.

O investimento necessário para colocar a operação emergencial em funcionamento é estimado em aproximadamente R$ 80 milhões. A estratégia já foi utilizada durante as secas severas de 2023 e 2024, quando o baixo nível dos rios comprometeu o abastecimento e a movimentação de insumos do Polo Industrial de Manaus.

As dificuldades não se limitam ao trecho amazônico. Restrições de calado no Canal do Panamá também podem afetar algumas rotas internacionais utilizadas por cargas destinadas à Zona Franca de Manaus, aumentando o risco de alterações de itinerário e de prazos mais longos.

A repetição de secas severas mostra que medidas emergenciais já não são suficientes para lidar com a vulnerabilidade logística da região. Sobretaxas, redução de carga e transbordos elevam os custos para a indústria e tendem a chegar aos preços pagos pelos consumidores. O desafio é transformar soluções temporárias em um plano permanente de resiliência, com monitoramento hidrológico, infraestrutura adaptável e rotas alternativas acionadas antes que a navegação seja interrompida.

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