Home / DESTAQUE PRINCIPAL / 86% dos brasileiros desconhecem conceito de economia do mar, aponta pesquisa

86% dos brasileiros desconhecem conceito de economia do mar, aponta pesquisa

Mesmo com o peso das atividades marítimas na economia brasileira, boa parte da população ainda desconhece o conceito de economia do mar. Pesquisa realizada pela Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, em parceria com a UNESCO e a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), mostrou que 86% dos brasileiros não conheciam os termos “economia do mar” ou “economia azul”.

O dado faz parte da primeira edição do estudo “Oceano sem Mistérios: A relação dos brasileiros com o mar”, realizada em 2022. Foram ouvidas 2 mil pessoas adultas, de diferentes classes sociais e das cinco regiões do país. Apenas 1% declarou conhecer bem os conceitos, enquanto 13% afirmaram já ter ouvido falar sobre eles.

A economia do mar reúne atividades econômicas diretamente relacionadas ao ambiente costeiro e oceânico ou aos recursos provenientes do mar. Entre elas estão transporte marítimo, portos e logística, pesca e aquicultura, turismo costeiro, construção naval, petróleo e gás offshore, geração de energia e biotecnologia marinha.

Importância econômica

Apesar do desconhecimento do conceito, os entrevistados reconheciam a importância econômica do oceano. Segundo a pesquisa, 87,6% atribuíam uma grande contribuição do mar à economia brasileira. O levantamento utilizava ainda como referência estimativa da Comissão Interministerial para os Recursos do Mar segundo a qual as atividades relacionadas ao oceano representavam cerca de 19% do Produto Interno Bruto brasileiro.

Quando convidados a citar espontaneamente atividades econômicas relacionadas ao oceano, 58% mencionaram pesca e cultivo de frutos do mar. Turismo e hotelaria apareceram para 27% dos entrevistados, seguidos pela extração de minerais, com 25%, e logística e transporte de pessoas e mercadorias, com 22%. Um quarto dos participantes não conseguiu mencionar nenhuma atividade ligada à economia do mar.

O levantamento também revelou o baixo conhecimento sobre iniciativas internacionais relacionadas aos oceanos. A Década das Nações Unidas da Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável, que vai de 2021 a 2030, era desconhecida por grande parte dos entrevistados, embora houvesse interesse em saber mais sobre o tema.

Nova edição

Uma nova edição da pesquisa foi divulgada em 2025 e mostrou que a relação dos brasileiros com o oceano continua marcada por uma distância entre percepção e ação. O levantamento apontou, por exemplo, que 87,6% estavam dispostos a mudar hábitos em favor da conservação marinha, mas apenas 7% haviam participado de alguma atividade voltada à proteção do mar nos 12 meses anteriores.

Para um país cuja produção de energia, comércio exterior, infraestrutura portuária, indústria naval, pesca e turismo dependem diretamente do ambiente marítimo, a falta de familiaridade com a economia do mar representa também um desafio de comunicação e de cultura oceânica. Ampliar esse conhecimento ajuda a aproximar da sociedade decisões sobre investimentos, sustentabilidade, ciência, geração de empregos e proteção da Amazônia Azul. Criada em 7 de agosto de 2026, a Revista Economia do Mar contribui, com a sua parcela, para tornar essa temática cada vez mais acessível à sociedade.

Marcado: