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O que é Economia do Mar? Tudo o que você precisa saber!

Economia do Mar reúne atividades como transporte marítimo, portos, pesca, turismo costeiro, petróleo offshore, construção naval, energia renovável e biotecnologia. Entenda a importância desse mercado para o Brasil e para o mundo/Imagem criada com Inteligência Artificial

Os oceanos cobrem aproximadamente 71% da superfície da Terra, abrigam a maior parte da biosfera do planeta e participam diretamente da produção de alimentos, energia, matérias-primas e serviços essenciais. Também conectam inúmeros mercados: navios, portos e terminais sustentam parte significativa do comércio internacional.

Todas essas atividades formam a chamada Economia do Mar, um conjunto econômico amplo que vai muito além da pesca e do transporte marítimo. Ele inclui desde setores tradicionais, como turismo costeiro e construção naval, até mercados emergentes, como energia eólica offshore, biotecnologia marinha e sistemas digitais de monitoramento oceânico.

Para o Brasil, que possui uma das maiores áreas marítimas sob jurisdição do mundo, compreender essa economia é fundamental para transformar recursos naturais, conhecimento científico e posição geográfica em desenvolvimento sustentável.

O que é Economia do Mar ou Economia Azul?

A Economia do Mar corresponde às atividades que produzem bens e serviços relacionados aos oceanos, às zonas costeiras e aos recursos marinhos.

Na metodologia apresentada pelo governo brasileiro em 2025, ela é definida como a contribuição monetária das unidades econômicas que utilizam recursos naturais ou serviços fornecidos pelo mar, assim como daquelas cujas atividades afetam ou são afetadas pelo ambiente marinho.

O trabalho foi coordenado pelo Ministério do Planejamento e Orçamento, com participação do IBGE e de outras instituições públicas. Ministério do Planejamento e Orçamento

Embora os termos sejam frequentemente empregados como sinônimos, existe uma diferença de enfoque entre Economia do Mar e Economia Azul.

A Economia do Mar procura identificar e mensurar as atividades econômicas ligadas ao ambiente marinho. Já a Economia Azul incorpora uma condição adicional: o uso dos oceanos deve ocorrer de maneira sustentável, conciliando geração de renda, empregos e inovação com a conservação dos ecossistemas.

Em outras palavras, toda Economia Azul faz parte da Economia do Mar, mas nem toda atividade marítima pode ser considerada azul se provocar degradação ambiental ou esgotamento dos recursos naturais.

Por que a Economia do Mar é importante?

A Economia do Mar influencia o cotidiano mesmo de quem vive longe do litoral. Alimentos, medicamentos, combustíveis, fertilizantes, equipamentos eletrônicos e matérias-primas passam por navios e portos antes de chegar às empresas e aos consumidores.

Sua importância pode ser observada em cinco dimensões:

  1. Econômica: movimenta trilhões de dólares e sustenta cadeias produtivas globais;
  2. Logística: permite o transporte de grandes volumes de carga entre continentes;
  3. Energética: reúne petróleo, gás natural, energia eólica offshore e outras fontes renováveis;
  4. Social: gera trabalho e renda em comunidades costeiras, cidades portuárias e polos industriais;
  5. Ambiental e climática: depende de ecossistemas que regulam o clima, armazenam carbono e preservam a biodiversidade.

A saúde do oceano, portanto, não é uma pauta separada da economia. Poluição, pesca excessiva, acidificação, elevação do nível do mar e eventos climáticos extremos ameaçam portos, turismo, produção de alimentos e infraestrutura costeira.

Quais são os setores da Economia do Mar?

A abrangência exata varia conforme a metodologia utilizada por cada país, mas os principais setores são:

Transporte marítimo e navegação

Inclui o transporte de cargas e passageiros, a navegação de longo curso, a cabotagem, a navegação interior e os serviços de apoio marítimo.

Portos e logística

Reúne terminais portuários, armazenagem, movimentação de cargas, dragagem, agenciamento marítimo e serviços logísticos conectados aos portos.

Pesca e aquicultura

Abrange a captura de espécies marinhas, o cultivo de organismos aquáticos e o processamento e a comercialização do pescado.

Petróleo, gás e serviços offshore

Envolve exploração e produção no mar, embarcações de apoio, plataformas, equipamentos submarinos, engenharia e manutenção especializada.

Construção e reparação naval

Compreende estaleiros, fabricação de navios, barcos e plataformas, produção de equipamentos e serviços de manutenção, modernização e docagem.

Turismo costeiro e náutico

Inclui hospedagem, alimentação, cruzeiros, marinas, passeios, esportes aquáticos e atividades recreativas desenvolvidas no litoral.

Energias renováveis oceânicas

Engloba energia eólica offshore e tecnologias que aproveitam ondas, marés, correntes e diferenças de temperatura do oceano.

Biotecnologia marinha

Pesquisa organismos e recursos genéticos do mar para aplicações em medicamentos, cosméticos, alimentos, agricultura e novos materiais.

Mineração marinha

Abrange a extração de areia, sais, minerais e outros recursos do fundo oceânico. É uma atividade cercada por desafios tecnológicos, regulatórios e ambientais.

Defesa, segurança e pesquisa oceânica

Inclui vigilância marítima, produção de dados oceanográficos, cartografia, monitoramento ambiental, formação profissional e proteção das águas jurisdicionais.

Telecomunicações submarinas

Os cabos instalados no fundo do oceano são responsáveis pela transmissão da maior parte dos dados internacionais, tornando o ambiente marinho essencial também para a economia digital.

Qual é a principal atividade econômica do oceano?

Não existe uma única resposta válida para todos os países e períodos.

Em escala mundial, o turismo marinho e costeiro foi a maior atividade da Economia do Mar em valor adicionado durante a maior parte do período entre 1995 e 2019. Em 2019, chegou a US$ 1,06 trilhão. Em 2020, com as restrições impostas pela pandemia, o setor de petróleo, gás e serviços offshore assumiu a primeira posição, com US$ 987,4 bilhões. OCDE

Considerados em conjunto, turismo costeiro e produção offshore responderam por aproximadamente dois terços do valor adicionado da Economia do Mar global entre 1995 e 2020.

No Brasil, o petróleo e o gás produzidos no mar possuem peso estratégico e elevada participação econômica. Ao mesmo tempo, turismo, portos, navegação e atividades desenvolvidas nos municípios costeiros ampliam significativamente o alcance da Economia do Mar brasileira.

Qual é o PIB da Economia do Mar no Brasil e no mundo?

A Economia do Mar mundial gerou US$ 2,6 trilhões em valor adicionado bruto em 2020, de acordo com o relatório The Ocean Economy to 2050, da OCDE. O valor dobrou, em termos reais, em comparação com os US$ 1,3 trilhão registrados em 1995 e representou entre 3% e 4% do valor adicionado global.

Esse número não deve ser confundido com o comércio internacional de bens e serviços ligados ao oceano. Segundo a ONU Comércio e Desenvolvimento, as exportações desses bens e serviços atingiram o recorde de US$ 2,2 trilhões em 2023, sendo US$ 1,3 trilhão em serviços e US$ 900 bilhões em mercadorias.

No Brasil, a estimativa mais citada aponta que a Economia do Mar correspondia a R$ 1,11 trilhão, ou 19% do PIB nacional, em 2015. O cálculo foi desenvolvido em uma pesquisa acadêmica pioneira e considerou atividades direta e indiretamente relacionadas ao mar.

Esse percentual, porém, não deve ser apresentado como um dado oficial atual. Em 2025, o governo federal concluiu uma metodologia própria para orientar a criação da Conta da Economia do Mar, que permitirá ao IBGE calcular a contribuição do setor com maior regularidade e precisão. Até que os primeiros resultados dessa conta sejam divulgados, os 19% continuam sendo uma referência histórica, e não uma medição atualizada.

10 dados impactantes sobre a Economia do Mar

  1. A Economia do Mar mundial alcançou US$ 2,6 trilhões em 2020, o dobro do valor registrado em 1995.
  2. O setor respondeu por 3% a 4% do valor adicionado global ao longo do período analisado pela OCDE.
  3. Mais de 100 milhões de empregos equivalentes a tempo integral dependiam dessa economia em 2020, mesmo com os efeitos da pandemia.
  4. No auge, em 2006, foram contabilizados 151 milhões de empregos equivalentes a tempo integral nas atividades oceânicas.
  5. Turismo costeiro e petróleo e gás offshore geraram cerca de dois terços do valor adicionado do setor entre 1995 e 2020.
  6. A região da Ásia-Pacífico respondeu por aproximadamente 75% do crescimento da Economia do Mar mundial ao longo de 25 anos.
  7. A energia eólica offshore e outras fontes renováveis marinhas cresceram, em média, 31% ao ano, passando de US$ 38 milhões em 2000 para US$ 4,6 bilhões em 2020.
  8. O comércio internacional de bens e serviços ligados ao oceano chegou a US$ 2,2 trilhões em 2023, equivalente a aproximadamente 7% do comércio mundial.
  9. A Amazônia Azul possui cerca de 5,7 milhões de km², área equivalente a mais da metade do território terrestre brasileiro.
  10. Mais de 95% do comércio exterior do Brasil passa por rotas marítimas, o que torna portos e navegação decisivos para a economia nacional.

Fontes: OCDE, UNCTAD e Marinha do Brasil.

Como o Brasil está situado na Economia do Mar?

O Brasil reúne condições naturais e econômicas para ocupar uma posição relevante na Economia do Mar. O país possui aproximadamente 8,5 mil quilômetros de litoral, 17 estados costeiros e 279 municípios defrontantes com o mar.

Segundo a metodologia federal publicada em 2025, esses municípios abrigavam cerca de 18,5% da população brasileira em 2024, embora ocupassem apenas 2,83% do território nacional.

A posição brasileira também é favorecida por:

  • extensa área marítima sob jurisdição;
  • grande produção offshore de petróleo e gás;
  • portos conectados às principais rotas internacionais;
  • biodiversidade marinha com potencial científico e econômico;
  • indústria naval e cadeia de fornecedores especializados;
  • destinos turísticos distribuídos ao longo de todo o litoral;
  • condições para expansão da energia eólica offshore;
  • centros de pesquisa e universidades com atuação em ciências do mar.

A Marinha informa que mais de 97% do petróleo e 85% do gás natural brasileiros são produzidos no mar. A instituição também estima que mais de 20 milhões de brasileiros estejam envolvidos direta ou indiretamente com atividades relacionadas ao oceano. Agência Marinha de Notícias

Apesar dessas vantagens, o país ainda enfrenta dificuldades para transformar seu potencial em uma estratégia integrada. Entre os desafios estão a falta de dados econômicos consolidados, a necessidade de modernização da infraestrutura, a qualificação profissional, o financiamento de novos projetos, a proteção dos ecossistemas e a coordenação entre governos, empresas e instituições científicas.

A criação de uma conta estatística oficial será um passo importante. Sem saber exatamente quanto cada atividade produz, emprega e investe, torna-se mais difícil elaborar políticas públicas, comparar resultados e definir prioridades.

Qual é a importância da Amazônia Azul para a Economia do Mar?

Amazônia Azul é o nome dado pela Marinha do Brasil ao espaço marítimo de interesse estratégico do país. A área compreende o mar territorial, a Zona Econômica Exclusiva e a plataforma continental brasileira, totalizando cerca de 5,7 milhões de km².

O conceito procura chamar a atenção para o valor econômico, ambiental, científico e geopolítico dessas águas. Assim como a Amazônia terrestre, a Amazônia Azul reúne recursos naturais, biodiversidade e oportunidades que precisam ser conhecidos, utilizados com responsabilidade e protegidos.

Nessa região estão:

  • campos de petróleo e gás;
  • áreas de pesca e aquicultura;
  • rotas utilizadas pelo comércio exterior;
  • portos e terminais;
  • cabos submarinos de telecomunicações;
  • ecossistemas fundamentais para a biodiversidade;
  • recursos minerais e genéticos ainda pouco conhecidos;
  • áreas com potencial para energia renovável offshore.

A Amazônia Azul também é uma questão de soberania. Monitorar sua extensão é necessário para combater pesca ilegal, tráfico, poluição, crimes ambientais e ameaças à infraestrutura marítima.

Sua importância para a Economia do Mar, portanto, não está apenas nos recursos que podem ser explorados. Ela está na capacidade de o Brasil gerar conhecimento, planejar usos compatíveis para o espaço marítimo e assegurar que o crescimento econômico não comprometa os ecossistemas dos quais essas atividades dependem.

A Economia do Mar já está presente na produção de energia, no turismo, na alimentação, na indústria, na logística e nas comunicações. Seu alcance revela que o oceano não é somente uma fronteira geográfica ou ambiental: é parte da infraestrutura econômica do Brasil e do mundo.

O país possui vantagens expressivas, como um litoral extenso, grande produção offshore, biodiversidade, portos estratégicos e uma área marítima de 5,7 milhões de km². Aproveitar esse potencial exigirá dados confiáveis, inovação, planejamento, segurança jurídica e conservação ambiental.

É justamente essa combinação que dá sentido à Economia Azul. O desafio, muito além de apenas produzir mais riqueza a partir do mar, consiste em criar condições para que essa riqueza seja duradoura, distribuída e compatível com a preservação dos oceanos.

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