Entidades ligadas à atividade portuária e à logística solicitaram, recentemente, providências para enfrentar as limitações de navegabilidade no Complexo Portuário de Itajaí-Navegantes, em Santa Catarina. O alerta envolve as condições do canal de acesso e as restrições operacionais que afetam a circulação dos navios.
A manifestação foi encaminhada ao Ministério de Portos e Aeroportos, à Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e à Companhia Docas do Estado da Bahia (Codeba), responsável pela administração transitória do Porto de Itajaí.
Participam do movimento a Associação de Terminais Portuários Privados (ATP), a Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres (Abratec), a Associação Brasileira dos Terminais Portuários (ABTP), o Centro Nacional de Navegação Transatlântica (Centronave) e a Federação Nacional das Operações Portuárias (Fenop).
Segundo as entidades, as limitações de profundidade e as novas condições estabelecidas pela Autoridade Marítima reduzem a previsibilidade das operações. O problema pode afetar o planejamento de escalas, a capacidade de carga dos navios e a competitividade de um dos principais complexos portuários do Sul do Brasil.
Monitoramento e manutenção do canal
O documento defende a adoção de um acompanhamento permanente das condições do canal, com manutenção das profundidades previstas nos projetos e divulgação regular das informações necessárias ao planejamento das manobras.
A profundidade disponível determina o calado máximo dos navios que podem acessar os terminais. Quando esse limite é reduzido, as embarcações podem ser obrigadas a transportar menos carga, aguardar condições mais favoráveis ou alterar suas escalas.
Além de elevar os custos, a falta de previsibilidade pode interferir na escolha dos portos pelas companhias de navegação. O impacto alcança importadores, exportadores, operadores logísticos e diferentes atividades econômicas que dependem do complexo catarinense.
Obras consideradas estratégicas
As associações também pedem a continuidade do processo de concessão do canal de acesso. A expectativa é que o modelo permita mobilizar investimentos de longo prazo para modernizar a infraestrutura aquaviária.
Entre as intervenções apontadas como necessárias estão o aprofundamento do canal, a ampliação da bacia de evolução, a construção de um novo molhe em Navegantes e a retirada do casco do navio Pallas.
A bacia de evolução é a área utilizada pelos navios para realizar manobras de giro. Sua ampliação é considerada importante diante do aumento das dimensões das embarcações que operam no transporte internacional de contêineres.
O casco do Pallas, naufragado na década de 1980, também é tratado como um obstáculo para futuras obras e para a expansão da capacidade operacional do complexo.
Concessão segue em discussão
A Superintendência do Porto de Itajaí havia solicitado à Antaq a suspensão cautelar do processo de concessão do canal. A agência, entretanto, negou o pedido, mantendo os procedimentos relacionados à preparação da licitação.
O Ministério de Portos e Aeroportos também vem discutindo com a administração portuária ajustes e formalidades do edital. A previsão apresentada pelo Governo Federal é realizar o leilão ainda em 2026.
As entidades solicitaram uma reunião com os órgãos responsáveis para discutir tanto as medidas imediatas de segurança quanto as soluções estruturais. Para o setor, a continuidade das operações e a capacidade de receber navios maiores dependem da combinação entre manutenção, monitoramento e novos investimentos.
O Complexo Portuário de Itajaí-Navegantes ocupa uma posição relevante na movimentação brasileira de contêineres. Por isso, restrições prolongadas no canal podem produzir efeitos sobre cadeias produtivas que ultrapassam os limites de Santa Catarina.






