Uma reunião da Organização Marítima Internacional (IMO), prevista para novembro de 2026, poderá ser decisiva para o reconhecimento do etanol como combustível de transição para o transporte marítimo.
A discussão é acompanhada pelo setor de biocombustíveis, por empresas de navegação e pelo governo brasileiro. O país busca construir uma posição conjunta para defender a inclusão do etanol entre as alternativas capazes de contribuir para as metas internacionais de descarbonização dos navios.
A IMO estabeleceu como objetivo alcançar emissões líquidas zero no transporte marítimo internacional próximo de 2050. O setor responde por até 3% das emissões globais de gases de efeito estufa, segundo estudo publicado pela organização em 2020.
Entre os pontos em debate está a forma como as emissões de cada combustível serão calculadas. A competitividade do etanol dependerá não apenas do reconhecimento de seu potencial ambiental, mas também das regras internacionais e dos mecanismos econômicos que serão adotados.
Representantes da indústria defendem medidas de compensação que reduzam a diferença de custo entre os combustíveis renováveis e os derivados de petróleo utilizados atualmente pelas embarcações.
Oportunidade para a produção brasileira
O Brasil é o segundo maior produtor mundial de etanol e possui uma cadeia produtiva consolidada. Dependendo da matéria-prima e do processo utilizado, o biocombustível pode reduzir entre 60% e 90% das emissões em comparação com o bunker convencional.
Durante evento promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), representantes do setor estimaram que a navegação poderia criar uma demanda global de 250 bilhões a 300 bilhões de litros de etanol por ano.
No mercado brasileiro, a oportunidade de receita foi estimada entre R$ 75 bilhões e R$ 150 bilhões anuais nos próximos anos. Esses números, contudo, dependerão das condições regulatórias, da capacidade de abastecimento e da adoção efetiva do combustível pelos armadores.
As negociações brasileiras na IMO são lideradas pela Marinha do Brasil, com a participação do Ministério das Relações Exteriores. O Ministério da Defesa também acompanha as discussões.
Além da oferta de matéria-prima, a expansão do etanol marítimo exigirá investimentos em motores compatíveis, embarcações, terminais, armazenagem e infraestrutura portuária de abastecimento. A decisão internacional poderá, portanto, abrir oportunidades para diferentes segmentos da Economia do Mar.






