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Brasil amplia participação na governança internacional das operações antárticas

O Brasil participou, neste mês de agosto, da 38ª Reunião Anual do Conselho de Gerentes dos Programas Antárticos Nacionais (COMNAP), em Tromsø, na Noruega. O encontro reuniu representantes de 30 dos 34 programas nacionais que integram a organização.

O COMNAP coordena a troca de experiências e a cooperação logística entre os países que mantêm atividades científicas no continente. A participação brasileira ocorre por meio do Programa Antártico Brasileiro, o PROANTAR, responsável por apoiar pesquisas, administrar instalações e organizar missões nacionais na região.

Durante o encontro, foram discutidos o planejamento da temporada 2026/2027, a modernização das bases e os riscos operacionais relacionados às mudanças ambientais. A programação também abordou operações aéreas e marítimas, combustíveis alternativos, bioincrustação, navios de pesquisa e utilização de aeronaves remotamente pilotadas.

Medidas de biossegurança

A prevenção da influenza aviária de alta patogenicidade ganhou destaque devido à presença confirmada da doença na fauna da Península Antártica, principal área de atuação brasileira. Os participantes recomendaram a manutenção das medidas de biossegurança, a revisão dos procedimentos nacionais e a inclusão dos protocolos nos treinamentos realizados antes das missões.

A reunião aprovou o Plano Estratégico do COMNAP para o período de 2026 a 2033. O documento orientará as atividades da organização e apoiará a preparação do quinto Ano Polar Internacional, iniciativa que pretende reunir pesquisas multidisciplinares, novas tecnologias e práticas de ciência aberta para ampliar o conhecimento sobre as regiões polares.

A participação brasileira também foi fortalecida pela eleição da capitão de mar e guerra e engenheira naval Haynnee Trad para uma das vice-presidências do COMNAP. Com mandato de três anos, ela integrará o Comitê Executivo ao lado de representantes do Reino Unido, Itália, Turquia, Índia e Polônia.

O PROANTAR ainda apresentou iniciativas de educação e proteção ambiental, entre elas um curso da Universidade Federal do ABC sobre a Antártica e um treinamento desenvolvido com o Ibama e a Petrobras para prevenção e resposta a derramamentos de óleo na Estação Antártica Comandante Ferraz.

A presença do Brasil nas instâncias de coordenação antártica possui dimensão científica e geopolítica. As transformações no Oceano Austral influenciam o clima, a circulação oceânica e o nível do mar, com efeitos sobre o Atlântico Sul e a costa brasileira. Participar da definição de protocolos, prioridades científicas e mecanismos de cooperação ajuda o país a produzir conhecimento estratégico e a manter voz ativa na governança de uma das regiões mais sensíveis do planeta.

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