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Entenda como um naufrágio de 1893 tem limitado a expansão do Porto de Itajaí

A remoção completa do casco está estimada em aproximadamente R$ 23 milhões e deverá contar com recursos federais.

Um navio naufragado há 133 anos permanece como obstáculo aos planos de aprofundamento do canal de acesso ao Complexo Portuário de Itajaí e Navegantes, em Santa Catarina. Os destroços do Pallas, que afundou em 1893, estão localizados em uma área estratégica para a ampliação da bacia de evolução e precisam ser removidos para permitir futuras operações com navios de maior porte.

Os estudos técnicos para definir como será feita a retirada entraram na etapa final. Um mergulho programado para a última quarta-feira, 12 de agosto, deveria concluir os trabalhos de campo, mas a inspeção foi adiada em razão das condições climáticas e ainda não havia recebido uma nova data até esta quinta-feira (13).

A operação faz parte de um convênio entre a Universidade do Vale do Itajaí (Univali), o Porto de Itajaí e a Autoridade Portuária Federal. O trabalho recebeu investimento de R$ 310 mil e inclui sondagens, análises estruturais, mergulho técnico e inspeções destinadas a definir a metodologia de remoção dos destroços.

Onde está o Pallas?

O Pallas está submerso entre as boias 9 e 11, nas proximidades da Bacia de Evolução nº 2, junto ao molhe norte. A presença da estrutura impede o aprofundamento dessa área para 16 metros, restringindo os projetos de expansão do complexo.

Com a retirada dos destroços e as futuras obras de dragagem, a previsão é ampliar a Bacia de Evolução nº 2 para 530 metros de diâmetro. A mudança criaria melhores condições de manobra e permitiria ao complexo receber embarcações maiores, incluindo navios de até 366 metros.

A remoção completa do casco está estimada em aproximadamente R$ 23 milhões e deverá contar com recursos federais. Além do desafio de engenharia submarina, a operação envolve questões relacionadas ao patrimônio histórico, com participação do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e da Marinha na definição do destino dos materiais encontrados.

Construído na Inglaterra em 1891, o Pallas fazia transporte de passageiros e cargas entre Rio de Janeiro e Buenos Aires, com escalas em Itajaí. A embarcação afundou em outubro de 1893, durante o período da Revolta da Armada, depois de colidir com pedras próximas à entrada do canal. Os destroços voltaram a ganhar atenção em 2017, durante trabalhos de dragagem para ampliação da estrutura portuária.

Mais de um século depois, o naufrágio tornou-se uma questão de competitividade logística: sua retirada é uma das condições para preparar o complexo Itajaí-Navegantes para uma geração de navios cada vez maiores.

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