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Estreito de Ormuz: Irã e Omã avançam em plano para dividir gestão de rotas

O esquema de controle preferido do Irã passa pelas águas territoriais iranianas, acima. O acordo relatado colocaria a rota de entrada em águas iranianas e o tráfego de saída em águas omanitas (Guarda Costeira Islâmica).

Irã e Omã avançaram nas negociações para estabelecer rotas distintas de navegação no Estreito de Ormuz. A proposta prevê que as embarcações entrem no Golfo por um corredor ao norte, sob controle iraniano, e saiam por uma rota ao sul, localizada em águas omanitas.

Segundo Patrick Wintour, do The Guardian, o governo dos Estados Unidos apoia o plano e pretende apresentá-lo como uma solução temporária para restabelecer a circulação de navios pela passagem estratégica. Outros países da região também seriam favoráveis ao entendimento.

O Ministério das Relações Exteriores do Irã confirmou que Teerã e Mascate chegaram a um acordo preliminar sobre as coordenadas geográficas da rota. Um comunicado conjunto está sendo preparado, mas pontos relacionados à segurança e à operação do corredor ainda permanecem em discussão.

Proposta teria validade inicial de 60 dias

Informações divulgadas pelo jornalista Barak Ravid, do Axios, indicam que o modelo provisório teria duração inicial de 60 dias. Durante esse período, não haveria cobrança de taxas das embarcações que atravessassem o estreito.

O plano também incluiria a retirada de minas instaladas na região central da passagem. De acordo com as fontes citadas pelo jornalista, os termos foram discutidos entre a liderança iraniana, representantes regionais e autoridades norte-americanas.

Apesar do avanço, ainda não há confirmação de um acordo definitivo entre Irã e Estados Unidos. O entendimento anunciado até agora envolve diretamente Teerã e Omã e trata das coordenadas do corredor marítimo.

Cobrança pela passagem permanece como ponto de divergência

Uma das principais dificuldades para um acordo de longo prazo é a intenção iraniana de manter influência sobre o tráfego no Estreito de Ormuz. Teerã reivindica o direito de controlar a passagem e cobrar taxas pelos serviços prestados às embarcações.

Os Estados Unidos rejeitam a possibilidade de uma cobrança administrada pelo governo iraniano. A solução provisória, sem tarifas durante os primeiros 60 dias, busca contornar essa divergência enquanto as partes discutem um arranjo permanente.

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que havia possibilidade de um entendimento para reabrir o estreito. Questionado sobre eventual cobrança, declarou que o acordo deveria assegurar a liberdade de navegação, mas não detalhou como a questão financeira seria tratada.

A retomada do tráfego é considerada uma prioridade para países da região e para o mercado internacional de energia. O Estreito de Ormuz conecta o Golfo ao Mar de Omã e constitui uma das principais rotas mundiais de transporte de petróleo e gás.

Negociações buscam evitar nova escalada militar

As tratativas ganharam força depois de o governo norte-americano recuar de uma campanha mais ampla de ataques contra o setor energético do Irã. Analistas alertaram que novos bombardeios poderiam provocar represálias contra bases militares e instalações de energia no Golfo, além de ampliar os riscos para a navegação comercial.

Para Danny Citrinowicz, ex-chefe da área de análise sobre o Irã na Inteligência de Defesa de Israel, Washington deverá fazer concessões para encerrar o impasse, incluindo medidas relacionadas ao bloqueio marítimo e às sanções sobre as exportações iranianas de petróleo.

Na avaliação do analista, o arranjo em discussão pode representar a alternativa mais viável para os Estados Unidos diante do risco de uma nova escalada militar. Ainda assim, a reabertura efetiva do estreito dependerá da conclusão das negociações e da definição das garantias de segurança para os navios comerciais.

Com informações do The Maritime Executive, Reuters e The Guardian.

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