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Regras contra remoção de barbatanas não reduziram comércio global de produtos de tubarão

O estudo reuniu dados sobre pesca, comércio e políticas públicas para analisar como o mercado respondeu à adoção das regras contra o shark finning.

As normas destinadas a combater a remoção de barbatanas de tubarões não apresentaram relação estatisticamente significativa com a redução do comércio internacional, do consumo doméstico ou do número de parceiros comerciais. O resultado consta de uma pesquisa divulgada recentemente pelo Marine Science Institute, da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara.

O estudo reuniu dados sobre pesca, comércio e políticas públicas para analisar como o mercado respondeu à adoção das regras contra o shark finning. A prática consiste em retirar as barbatanas e descartar o restante do animal no mar.

As barbatanas são consideradas um produto de luxo em algumas partes do mundo. A demanda exerce pressão sobre populações que já são vulneráveis à pesca excessiva, pois muitos tubarões crescem lentamente, atingem a maturidade tardiamente e produzem poucos descendentes.

Para enfrentar o problema, diferentes países passaram a exigir que os animais fossem desembarcados com as barbatanas ainda presas ao corpo ou acompanhadas das carcaças correspondentes. A expectativa era reduzir o incentivo econômico à captura destinada exclusivamente à venda das barbatanas.

Cadeia comercial é mais complexa do que se imaginava

Os pesquisadores compararam os fluxos comerciais antes e depois da adoção das normas com os resultados de países que não haviam implementado medidas semelhantes. A análise não encontrou alterações significativas no comércio internacional ou no consumo interno de produtos derivados de tubarões.

Uma explicação possível é que o desembarque do animal inteiro não elimina necessariamente o aproveitamento econômico da captura. Além das barbatanas, a cadeia comercial inclui carne, fígado, óleo e outros produtos.

As normas podem, inclusive, ampliar a oferta de carne em alguns mercados, embora o estudo não tenha estabelecido uma conclusão definitiva sobre esse efeito.

A pesquisa foi desenvolvida por cientistas da Universidade da Califórnia em Santa Bárbara, da The Nature Conservancy e da Universidade Renmin da China. O trabalho, publicado na revista Nature Communications, utilizou a base Aquatic Resource Trade in Species (ARTIS), lançada pela Universidade de Washington em 2024.

Os autores destacam que a ausência de um efeito estatístico não significa que as regras sejam desnecessárias. O resultado indica que medidas isoladas podem ser insuficientes para modificar cadeias globais complexas.

A conservação dos tubarões pode exigir uma combinação de fiscalização, restrições comerciais, controle dos equipamentos de pesca, proibições de retenção de determinadas espécies e acompanhamento mais detalhado da origem dos produtos.

 

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