Macaé (RJ) poderá receber uma instituição de ensino superior dedicada especificamente ao setor marítimo, portuário e de comércio exterior. A Prefeitura, a Petrobras e o Instituto Mar e Portos (Imapor) iniciaram discussões sobre uma possível parceria para implantação da Faculdade de Estudos Marítimos e Portuários (Femapor) no município.
O projeto foi apresentado em reunião realizada na quarta-feira, 2 de setembro, na sede da Petrobras em Imbetiba. Segundo a Prefeitura de Macaé, a proposta prevê o início das atividades no segundo semestre de 2027 e é apresentada pelos responsáveis como uma iniciativa pioneira no país nesse segmento.
A escolha de Macaé está relacionada à forte presença das atividades de petróleo, gás e apoio marítimo offshore no município e na Bacia de Campos. A proposta é utilizar essa concentração de empresas e profissionais como base para uma formação superior direcionada às necessidades da cadeia marítima.
Ampliar a formação
De acordo com o Imapor, um dos objetivos é ampliar a formação brasileira em áreas comerciais, operacionais, logísticas e de transporte marítimo. O instituto argumenta que empresas do setor ainda recorrem à contratação de profissionais estrangeiros para algumas funções especializadas e ao envio de trabalhadores brasileiros para capacitação em países como Noruega e Finlândia.
A eventual participação do município ainda depende de avaliações técnicas e jurídicas. Entre as possibilidades apresentadas estão apoio relacionado à instalação física da faculdade e mecanismos de incentivo. A Prefeitura informou que a proposta será examinada por órgãos como Procuradoria Geral, Controle Interno, Planejamento, Fazenda, Qualificação Profissional e setores de licitações e contratos.
Para a Petrobras, a formação local também pode atender à demanda do polo offshore e da própria Marinha Mercante. O gerente-geral da Bacia de Campos, Guilherme Sargenti, destacou durante o encontro a necessidade de ampliar a disponibilidade de profissionais de nível superior especializados no setor naval e marítimo.
A discussão ocorre em um momento em que a Economia do Mar amplia sua demanda por competências que vão além das profissões tradicionalmente associadas à navegação. Offshore, logística portuária, transição energética, digitalização e gestão de cadeias marítimas exigem profissionais cada vez mais especializados. Se avançar, uma formação superior diretamente conectada a um polo produtivo como Macaé pode aproximar universidades e empresas e reduzir uma lacuna de qualificação que tende a crescer juntamente com os investimentos no mar.






