Um projeto-piloto de geração eólica offshore flutuante previsto para o litoral do Rio Grande do Sul ganhou uma nova etapa com a assinatura recente de um memorando de entendimento entre a classificadora ABS e a Japan Blue Energy (JB Energy). As empresas irão desenvolver estudos estratégicos relacionados ao Aura Sul Wind.
Segundo dados do Ibama, o empreendimento prevê a instalação de um aerogerador de 18 MW, totalizando a mesma potência instalada. O Aura Sul Wind aparece entre os projetos de eólica offshore em processo de licenciamento ambiental no país, sob responsabilidade da Japan Blue Energy.
O projeto deverá utilizar a Raijin Float, fundação eólica flutuante semissubmersível de concreto desenvolvida pela JB Energy. Diferentemente das turbinas offshore de fundação fixa, estruturas flutuantes podem ser utilizadas em áreas de maior profundidade, ampliando as possibilidades de aproveitamento dos ventos marítimos.
Duas frentes
Pelo acordo anunciado em 3 de setembro, a ABS apoiará duas frentes associadas ao empreendimento. Uma delas envolve estudos de redução das emissões no Porto do Rio Grande, abrangendo eletrificação, integração de fontes renováveis, logística de baixo carbono, combustíveis mais limpos e infraestrutura associada.
A segunda frente olhará para uma etapa que normalmente ocorre décadas depois da instalação dos equipamentos: o descomissionamento. Os estudos avaliarão alternativas para remoção da plataforma, reboque, transporte, desmontagem, logística portuária e possíveis formas de reciclagem e reutilização da estrutura de concreto.
A iniciativa ainda é um projeto-piloto e não representa, portanto, o início da implantação comercial de um grande parque eólico offshore. Sua dimensão reduzida, porém, pode funcionar como campo de testes para questões técnicas, ambientais e logísticas que serão necessárias caso o Brasil avance na exploração comercial da energia eólica no mar.
O Aura Sul Wind também evidencia um aspecto importante da nova cadeia offshore: os portos tendem a assumir funções que vão muito além do embarque de equipamentos. Construção, montagem, apoio às operações, manutenção e futuro descomissionamento podem criar novas demandas industriais e logísticas. Nesse sentido, mesmo um piloto de 18 MW pode servir para testar não apenas uma turbina, mas parte do ecossistema necessário para uma futura indústria eólica offshore brasileira.






