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Eólicas offshore podem gerar mais de 500 mil empregos e movimentar R$ 900 bilhões no Brasil

A expansão da atividade pode ainda aproveitar competências já existentes no Brasil em segmentos como construção naval, óleo e gás, engenharia offshore e logística marítima.

O Brasil avançou na regulamentação da geração de energia pelos ventos em alto-mar com a aprovação das diretrizes para aplicar a Lei nº 15.097/2025. Segundo o Ministério de Minas e Energia (MME), o país possui potencial técnico de 1.200 gigawatts (GW) nas regiões Nordeste, Sudeste e Sul. Na projeção mais ambiciosa do estudo elaborado pelo Grupo Banco Mundial e pela Empresa de Pesquisa Energética, o setor pode superar 516 mil postos de trabalho e acrescentar pelo menos R$ 900 bilhões à economia brasileira até 2050.

A cadeia offshore envolve estudos ambientais e oceanográficos, fabricação de torres e turbinas, fundações, cabos submarinos, construção naval, logística portuária, conexão à rede e manutenção em alto-mar. Como o Brasil ainda estrutura esse mercado, parte da capacitação vem de países com experiência acumulada. Em junho, representantes brasileiros participaram de uma missão técnica na Dinamarca para conhecer modelos de planejamento, infraestrutura e operação.

Atração de investimentos

A regulamentação é considerada uma etapa importante para dar maior previsibilidade aos projetos eólicos offshore no país. Com regras mais claras para o uso das áreas marítimas e para a implantação dos empreendimentos, o setor passa a ter melhores condições para avançar na atração de investimentos e no planejamento de projetos de longo prazo.

O desenvolvimento dessa nova cadeia também deve ampliar a demanda por infraestrutura costeira. Portos, estaleiros e bases de apoio terão papel estratégico no recebimento de componentes de grande porte, na montagem das estruturas e no suporte às operações de instalação e manutenção dos parques eólicos em alto-mar.

A expansão da atividade pode ainda aproveitar competências já existentes no Brasil em segmentos como construção naval, óleo e gás, engenharia offshore e logística marítima. A experiência acumulada nessas áreas tende a facilitar a formação de mão de obra especializada e a adaptação de fornecedores nacionais às necessidades do novo mercado.

Além da geração de energia renovável, a eólica offshore pode fortalecer diferentes atividades ligadas à economia do mar. A consolidação do setor, porém, dependerá do avanço coordenado do licenciamento ambiental, da infraestrutura de transmissão, da qualificação profissional e da capacidade do país de transformar seu potencial técnico em projetos economicamente viáveis.

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