A BR Offshore planeja instalar em Barra do Furado, entre Campos dos Goytacazes e Quissamã, um estaleiro voltado à reciclagem de embarcações, equipamentos e estruturas utilizadas pela indústria offshore. A expectativa da empresa é iniciar as obras entre o final de 2026 e o começo de 2027.
O projeto foi apresentado à representação regional da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) no Norte Fluminense. Com aproximadamente 6 milhões de metros quadrados, o complexo deverá reunir infraestrutura logística e áreas destinadas ao recebimento, desmontagem e reaproveitamento de componentes provenientes de navios e plataformas de petróleo e gás.
A proposta procura atender ao crescimento esperado do mercado de descomissionamento. Parte das unidades flutuantes atualmente empregadas na produção offshore brasileira chegará ao fim da vida útil nos próximos anos, aumentando a necessidade de estruturas capazes de realizar desmontagem e destinação dos materiais dentro das normas ambientais e de segurança.
Capacidade e demanda
De acordo com a BR Offshore, a capacidade brasileira ainda é insuficiente diante da demanda projetada. A companhia considera Barra do Furado estratégica por sua proximidade com as operações de petróleo e gás das bacias de Campos e de Santos, além da disponibilidade de mão de obra e de áreas para suporte industrial.
O aço recuperado é um dos principais ativos econômicos do projeto. A empresa estima que a reciclagem de embarcações e estruturas offshore possa gerar 1,5 milhão de toneladas de aço reaproveitado no Brasil durante os próximos dez anos, com receita potencial de R$ 5 bilhões. O material poderá abastecer a siderurgia e reduzir a necessidade de matérias-primas de maior intensidade ambiental.
Além do valor comercial dos metais, o empreendimento poderá movimentar empresas de engenharia, transporte, tratamento de resíduos, descontaminação e serviços especializados. A implantação do estaleiro também reforçaria a tentativa de diversificar a economia do Norte Fluminense para além das etapas de exploração e produção de petróleo.
O potencial econômico, porém, dependerá da capacidade de o projeto cumprir padrões rigorosos de segurança laboral e controle ambiental. A reciclagem naval é uma atividade exposta a resíduos perigosos, óleos, tintas, amianto e outros materiais contaminantes. Licenciamento, rastreabilidade e transparência serão determinantes para que o empreendimento se torne referência em economia circular, e não apenas um espaço de desmontagem de ativos offshore.






