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Crise em Ormuz faz seguro marítimo disparar e coberturas serem ativadas em minutos

A escalada das tensões no Estreito de Ormuz está provocando uma mudança radical na forma como seguradoras e armadores calculam o risco de atravessar uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta. Coberturas que normalmente seriam negociadas com um ou dois dias de antecedência estão sendo precificadas poucas horas antes da passagem — e, em situações extremas, ativadas quando o navio já está prestes a entrar na área de risco.

A instabilidade aumentou depois do bloqueio do estreito pelo Irã em resposta aos ataques dos Estados Unidos e de Israel. Com a elevação imediata da ameaça às embarcações, apólices de seguro de guerra chegaram a ser canceladas e recontratadas a valores significativamente maiores.

Logo após o agravamento do conflito, as taxas cobradas de alguns navios para atravessar Ormuz chegaram a atingir 10% do valor da embarcação, segundo dados citados pela CNN. Antes da guerra, esse percentual ficava entre aproximadamente 0,25% e 0,5%. Em um petroleiro avaliado em US$ 100 milhões, uma cobertura equivalente a 10% representa um custo de US$ 10 milhões para uma única viagem. Desde então, as taxas de seguro de casco contra riscos de guerra recuaram para uma faixa entre 1% e 3%, mas continuam muito acima dos níveis anteriores à crise.

Cobertura definida poucas horas antes da travessia

A volatilidade é tão alta que algumas seguradoras passaram a definir o preço definitivo da cobertura apenas cerca de seis horas antes de o navio atravessar o estreito. Tradicionalmente, essa negociação ocorre entre 24 e 48 horas antes da passagem. Além disso, algumas apólices passaram a ter validade de apenas três a sete dias, exigindo renegociações frequentes.

Um episódio relatado pela corretora McGill and Partners mostra o nível de pressão sobre o mercado. Um armador pediu cobertura para atravessar Ormuz ainda no mesmo dia e confirmou a operação quando faltavam apenas seis minutos para a embarcação entrar no estreito. Corretores e seguradoras precisaram concluir a contratação rapidamente, e o certificado foi enviado ao navio cerca de dez minutos depois.

O risco não é apenas financeiro. Mais de 50 embarcações foram atacadas na região desde o início do conflito, segundo dados da Lloyd’s Market Association citados pela CNN. A Organização Marítima Internacional contabilizou ao menos 14 mortes de marítimos nesse período.

O aumento do risco também alterou o comportamento dos armadores. Mesmo com a disponibilidade de seguros, muitas empresas preferiram suspender ou adiar travessias por Ormuz. A Allianz estima que cerca de 1.150 navios cargueiros, avaliados juntamente com suas cargas em aproximadamente US$ 125 bilhões, permanecem retidos no Golfo Pérsico.

Caso a situação se prolongue, seguradoras avaliam que algumas embarcações podem até ser classificadas como perdas totais caso permaneçam impossibilitadas de operar por períodos prolongados. Em outras situações, as apólices podem ter de cobrir despesas adicionais com tripulação, manutenção e permanência das embarcações na região.

O impacto de Ormuz, portanto, vai além do preço internacional do petróleo. O aumento dos prêmios de seguro, a retenção de navios e a redução do tráfego acrescentam custos diretamente à cadeia logística marítima e podem pressionar fretes, disponibilidade de embarcações e preços de energia. Em uma rota pela qual circula parcela relevante do petróleo e do gás transportados por mar, o seguro tornou-se um dos indicadores mais rápidos da dimensão econômica do risco geopolítico.

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