Mato Grosso do Sul exportou US$ 7,21 bilhões entre janeiro e julho de 2026, um crescimento de 12,76% em comparação com o mesmo período do ano anterior. Embora não tenha litoral, o estado depende diretamente da infraestrutura portuária para conectar sua produção ao mercado internacional.
Os portos de Paranaguá, no Paraná, e Santos, em São Paulo, responderam juntos por 75,21% do valor exportado no período. Paranaguá concentrou 38,44% das operações, enquanto Santos participou com 36,77%.
Os dados fazem parte da Carta de Conjuntura do Comércio Exterior, produzida pela Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação de Mato Grosso do Sul (Semadesc), com base nas informações do Comex Stat.
Exportações somam 18,93 milhões de toneladas
O volume enviado ao exterior alcançou 18,93 milhões de toneladas nos sete primeiros meses do ano, alta de 11,75% sobre igual período de 2025.
Ao mesmo tempo, as importações sul-mato-grossenses recuaram de US$ 1,49 bilhão para US$ 1,44 bilhão. A combinação entre o crescimento das exportações e a redução das compras externas elevou o saldo comercial para US$ 5,77 bilhões, avanço de 17,78% na comparação anual.
Esse fluxo de mercadorias evidencia a importância dos corredores logísticos que ligam Mato Grosso do Sul ao litoral. Rodovias, ferrovias, terminais de transbordo e portos formam uma cadeia necessária para transportar grandes volumes de produtos agrícolas e industriais até os navios.
Soja, celulose e carne lideram embarques
A soja foi o principal produto exportado pelo estado, com US$ 2,43 bilhões e participação de 33,64% no total. As vendas externas do grão cresceram 30,83% em relação aos primeiros sete meses de 2025.
Na segunda posição aparece a celulose, com US$ 1,83 bilhão, equivalente a 25,30% das exportações. A carne bovina respondeu por outros US$ 1,33 bilhão, ou 18,41% do total, após registrar crescimento anual de 43,57%.
Juntos, os três produtos concentraram 77,35% das vendas externas de Mato Grosso do Sul. Essa composição influencia diretamente as operações portuárias, pois envolve cadeias com necessidades logísticas distintas, como terminais de granéis, pátios para celulose e estruturas para cargas refrigeradas.
China recebe quase metade das exportações
A China permaneceu como o principal destino dos produtos sul-mato-grossenses, com participação de 49,16% no valor exportado. Os Estados Unidos ficaram na segunda posição, com 6,29%, seguidos pelos Países Baixos, com 4,11%.
A concentração no mercado chinês reforça a ligação entre a produção do Centro-Oeste e as rotas marítimas de longo curso. Também mostra como o desempenho econômico de estados sem acesso direto ao oceano está conectado à capacidade dos portos brasileiros de receber cargas, organizar embarques e manter serviços regulares com os principais mercados internacionais.
Três Lagoas lidera vendas ao exterior
Entre os municípios, Três Lagoas registrou a maior participação nas exportações estaduais, com 17,26% do valor total. Dourados respondeu por 10,94%, enquanto Ribas do Rio Pardo alcançou 10,82%.
A presença de Três Lagoas e Ribas do Rio Pardo entre os líderes está relacionada, principalmente, à expansão da indústria de celulose. O crescimento dessa atividade aumenta a demanda por corredores eficientes até o litoral e por capacidade portuária para embarques em grande escala.
A agropecuária foi um dos principais motores do resultado estadual, com aumento de 29% no valor exportado e de 19,15% no volume. Na indústria de transformação, o valor das vendas cresceu 8,81%, apesar da redução de 2,09% na quantidade embarcada.
Os resultados demonstram que o comércio exterior de Mato Grosso do Sul depende não apenas da produção no interior, mas também da integração logística com a costa. Com três quartos das exportações passando por Paranaguá e Santos, o desempenho estadual está diretamente ligado à eficiência dos acessos terrestres e da infraestrutura marítimo-portuária brasileira.






