Os contratos futuros do minério de ferro ampliaram os ganhos no mercado asiático, sustentados pela redução dos embarques internacionais e pela expectativa de recomposição dos estoques das siderúrgicas chinesas. O movimento reforçou a influência da logística marítima sobre a formação dos preços da principal matéria-prima utilizada na produção de aço.
Na Bolsa de Mercadorias de Dalian, na China, o minério se manteve na terça-feira, 8 de setembro, próximo das maiores cotações em cerca de seis semanas. Os contratos negociados em Singapura também avançaram, acompanhando a percepção de menor disponibilidade imediata do produto no mercado internacional.
A queda dos embarques passou a limitar a quantidade de minério com chegada prevista aos portos chineses nas próximas semanas. Como o transporte entre os grandes países produtores e a China é realizado principalmente por navios do tipo capesize, oscilações no volume exportado produzem reflexos sobre a contratação de embarcações e a disponibilidade da commodity.
Redução dos estoques e novas compras
O mercado também acompanha a redução dos estoques nos principais portos da China e a possibilidade de novas compras pelas siderúrgicas antes do feriado do Dia Nacional do país asiático, celebrado em outubro. A produção média diária de ferro-gusa, indicador utilizado para medir a demanda das usinas, apresentou recuperação após duas semanas de queda.
Outro fator de sustentação foi o aumento do frete marítimo. As tensões geopolíticas, a valorização do petróleo, as condições climáticas no Pacífico e a ampliação das distâncias percorridas por algumas cargas encareceram o transporte de granéis. Para o minério brasileiro, que percorre uma rota mais longa até a Ásia do que o produto australiano, o custo do frete possui peso especialmente relevante.
Apesar da recuperação, permanecem dúvidas sobre a capacidade de manutenção dos preços. As margens das siderúrgicas chinesas continuam pressionadas, enquanto as projeções apontam crescimento da oferta mundial de minério nos próximos anos. Esse cenário pode limitar novas altas caso a demanda por aço não acompanhe o avanço da produção.
A valorização recente mostra que o preço do minério depende também do ritmo dos embarques, dos estoques portuários e da disponibilidade de navios. Para o Brasil, um dos maiores exportadores mundiais da commodity, o comportamento do frete e a eficiência dos terminais marítimos interferem diretamente na competitividade do produto entregue ao mercado chinês.
Com informações da Reuters, InfoMoney e Trading Economics.






