Uma disputa envolvendo o Porto Guará e a administração responsável pelos portos de Paranaguá e Antonina aumentou a incerteza em torno de mais de R$ 2 bilhões em investimentos previstos no complexo portuário paranaense.
A administração pública apresentou ao Tribunal Regional Federal da 4ª Região documentos relacionados a uma denúncia feita por um ex-advogado do Porto Guará. Segundo as alegações, teria existido uma estratégia para questionar, retardar ou reduzir a atratividade de leilões realizados pelo Porto de Paranaguá.
As acusações ainda não foram julgadas. O Porto Guará declarou que não havia sido formalmente notificado e afirmou que sua atuação segue a legislação e os parâmetros éticos aplicáveis. O escritório de advocacia mencionado no caso informou que está apurando internamente a divulgação dos documentos.
Momento de expansão
A disputa ocorre em um momento de expansão do Porto de Paranaguá. Em 2025, três áreas destinadas principalmente à movimentação de soja, milho e farelo foram arrematadas por grupos ligados ao BTG Pactual, à Cargill, à Louis Dreyfus e à Amaggi.
Os contratos preveem mais de R$ 2 bilhões em investimentos. O BTG afirmou acompanhar o caso com preocupação e alertou que a insegurança jurídica pode afetar a continuidade dos aportes e das obrigações assumidas.
O Porto Guará possui autorização da União, mas ainda depende de licenciamento ambiental para ser implantado. A disputa evidencia como conflitos territoriais, regulatórios e concorrenciais podem interferir no planejamento portuário e na atração de capital para projetos de longo prazo.






