Parte dos portos brasileiros está reforçando seus sistemas de segurança diante da diversificação das rotas utilizadas pelo tráfico internacional de drogas. Entre as medidas adotadas estão scanners com inteligência artificial, drones subaquáticos, videomonitoramento, patrulhamento e mudanças na forma de acondicionamento de determinadas cargas de exportação.
Dados do Ministério da Justiça mostram que as apreensões de cocaína em portos, embarcações e rios do país diminuíram de 46 toneladas, em 2021, para 15 toneladas em 2025. Investigadores avaliam, porém, que a queda não indica necessariamente uma redução do tráfico. As organizações criminosas passaram a pulverizar os embarques, utilizar volumes menores e recorrer a pesqueiros, veleiros e portos regionais.
Em Navegantes, Santa Catarina, a Portonave investiu cerca de R$ 25 milhões em dois scanners equipados com recursos de inteligência artificial. Cada aparelho consegue inspecionar aproximadamente 120 caminhões por hora. Com o equipamento que já operava no terminal, a capacidade diária de fiscalização chegou a 4 mil veículos.
Inspeção com drones
O Porto de Imbituba, também em Santa Catarina, incorporou um drone operado remotamente para realizar varreduras nas partes submersas dos navios. A tecnologia ajuda a identificar compartimentos alterados e objetos fixados aos cascos. Em uma das inspeções, o equipamento encontrou sinais de manipulação em um parafuso instalado em uma área de baixa visibilidade.
Em Natal, a administração portuária reduziu o uso de contêineres nas exportações de frutas e passou a priorizar o transporte em pallets, medida que facilita a conferência das cargas. Itajaí ampliou sistemas de inteligência e adquiriu drones, lanchas, veículos operacionais e equipamentos para sua guarda portuária.
Terminais de Paranaguá, Suape, Fortaleza, Salvador e Aratu-Candeias também informaram manter programas de monitoramento e cooperação com órgãos de segurança. Na Bahia, foi implantado no Porto de Aratu-Candeias o Centro Integrado de Segurança Pública Portuária, voltado à atuação conjunta da guarda portuária e das demais instituições presentes na área.
A adoção de novas tecnologias melhora a capacidade de fiscalização, mas o combate ao tráfico exige uma estratégia integrada entre terminais, Receita Federal, Polícia Federal, autoridades marítimas e empresas de navegação. À medida que as organizações criminosas alteram rotas, cargas e métodos de ocultação, a segurança passa a influenciar diretamente a competitividade e a confiabilidade dos portos brasileiros no comércio internacional.






