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[Artigo] A indústria e a economia do mar

Ricardo Alban é presidente da CNI

Por Ricardo Alban*

Com mais de 7 mil quilômetros de costa, o Brasil é dono de um vasto território marítimo, que abriga uma rica biodiversidade e sustenta atividades essenciais para a geração de energia, o transporte de mercadorias, a produção de alimentos, o turismo e a pesquisa científica.

Não é à toa, portanto, que a economia do mar é reconhecida como um dos pilares do desenvolvimento, da inovação e da sustentabilidade brasileira. Entre os muitos exemplos da importância dos recursos do oceano para o Brasil, estão o setor de petróleo e gás, os portos, a indústria naval e a pesca.

Atualmente, cerca de 80% da produção de petróleo e gás natural é extraída de águas profundas, uma atividade de alta complexidade que colocou o Brasil na vanguarda mundial da engenharia submarina. O país é o sétimo produtor global de petróleo, o que contribui para o dinamismo das cadeias de metalurgia, siderurgia, química, fertilizantes, máquinas e equipamentos e outros segmentos essenciais para acelerar o crescimento econômico.

Na área de gás natural, precisamos aumentar a disponibilidade interna a preços competitivos. Para isso, é necessário avançar na abertura efetiva do mercado dessa fonte de energia.  A diversificação de fornecedores ajudará a reduzir os preços do insumo, estimulando os investimentos e a competitividade da indústria nacional, sobretudo dos setores de química, cerâmica, vidro, alumínio e papel e celulose, que são grandes consumidores de energia.

Outro segmento estratégico para a economia do mar é o sistema de portos. Só no ano passado, 32 portos públicos e 221 terminais privados espalhados pela costa brasileira movimentaram aproximadamente 1,4 bilhão de toneladas de carga, facilitando o transporte doméstico de mercadorias e o comércio com outros países.

O Brasil conta ainda com uma importante indústria naval, que abrange as áreas de projeto e construção de navios, plataformas offshore, barcos de apoio e submarinos. Fundamental para a economia e a soberania nacional, o setor está passando por um processo de revitalização que trará benefícios para todo o país.

Parte dessa recuperação é resultado de iniciativas do governo federal, entre as quais se destacam a política de conteúdo local e a BR do Mar, programa que estimula o transporte de cargas por cabotagem. Outra ação importante de apoio ao setor é o programa Mar Aberto, voltado à renovação e à ampliação da frota da Petrobras, que prevê investimentos de R$ 32 bilhões na indústria naval brasileira até 2032.

A pesca marinha tem uma participação expressiva na economia do país Indispensável para a cadeia industrial de alimentos, a atividade gera oportunidades de trabalho e renda para milhares de pessoas que vivem nas cidades litorâneas, contribuindo, especialmente, para o desenvolvimento de regiões menos favorecidas.

Uma ação indispensável para garantir a expansão do setor é o aperfeiçoamento da vigilância da nossa extensa faixa marítima pelos órgãos de segurança. Há relatos de que barcos de bandeira estrangeira estão praticando a pesca ilegal em águas brasileiras, sequestrando nossas riquezas e prejudicando pescadores e empresas nacionais, o que é inaceitável.

O poder público e a iniciativa privada devem se unir em torno da consolidação de uma política voltada para a economia do mar, com regras claras, financiamento de longo prazo e incentivos à pesquisa e à tecnologia. A promoção das atividades ligadas ao oceano é essencial para o Brasil acelerar o crescimento econômico, criar empregos de qualidade e ampliar sua inserção no mercado global.

*Ricardo Alban é empresário e presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI)
E-mail: presidente@cni.com.br
Publicado em 20/08/2026

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