A intensificação dos ataques contra navios, portos e terminais de exportação no Mar Negro está afetando o transporte de grãos e petróleo. O aumento da insegurança já provocou interrupções operacionais, redução de embarques e forte elevação dos custos de frete e seguro marítimo.
O Mar Negro é uma rota estratégica para o transporte de trigo, milho, petróleo bruto e derivados. Suas águas são compartilhadas por Rússia, Ucrânia, Bulgária, Geórgia, Romênia e Turquia.
De acordo com informações da Reuters, Rússia e Ucrânia intensificaram nas últimas semanas as ofensivas contra instalações de exportação e embarcações associadas às cadeias comerciais dos dois países. A Ucrânia também ampliou os ataques contra navios-tanque envolvidos no comércio russo de petróleo.
Dados do governo ucraniano apontam 35 ataques contra embarcações em portos, 22 no mar e 67 contra instalações portuárias somente em julho. Em todo o ano de 2025, haviam sido registrados 14 ataques contra navios.
Seguros chegam a 2% do valor das embarcações
A escalada provocou uma alta expressiva nos custos do transporte marítimo. As diárias médias dos petroleiros que operam no Mar Negro ultrapassaram US$ 300 mil, ante pouco mais de US$ 200 mil uma semana antes.
O seguro contra riscos de guerra para escalas nos terminais da região chegou a 2% do valor da embarcação, aproximadamente o dobro do percentual registrado duas semanas antes. Mesmo variações menores podem acrescentar centenas de milhares de dólares ao custo de uma única viagem.
Os efeitos também alcançam as exportações agrícolas. Mais de 90% dos produtos agropecuários exportados pela Ucrânia passam pela região de Odesa, que tem sido alvo de ataques contra navios e infraestrutura portuária.
O país busca ampliar rotas alternativas, mas a capacidade disponível poderá absorver apenas cerca da metade do volume normalmente escoado pelos portos do Mar Negro. A navegação no Mar de Azov também está restrita, afetando as operações do porto russo de Taman.
No setor de energia, ataques contra petroleiros provocaram suspensões temporárias dos carregamentos em Novorossiysk e no terminal do Caspian Pipeline Consortium. Essa infraestrutura responde por aproximadamente 80% das exportações de petróleo do Cazaquistão.
Reflexos podem chegar aos exportadores brasileiros
A redução dos fluxos de grãos na região pode alterar preços internacionais e redistribuir a demanda entre outros fornecedores. O Brasil poderá encontrar oportunidades comerciais em determinados mercados, especialmente no caso do milho, mas também ficará exposto ao aumento da volatilidade e dos custos logísticos.
Fretes e seguros mais caros podem afetar embarcações que operam em outras rotas, caso armadores reposicionem frotas ou incorporem prêmios de risco às negociações. Mudanças nos preços do petróleo também repercutem sobre combustíveis, custos de transporte e produção agrícola.
A crise no Mar Negro cria uma nova pressão sobre o comércio marítimo internacional, que já enfrenta riscos no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho. A combinação desses pontos de tensão aumenta a vulnerabilidade das cadeias globais de energia e alimentos.






