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Entenda como a pesca de arrasto está associada à redução do carbono armazenado no fundo do mar

Na pesca de arrasto de fundo, redes pesadas são puxadas sobre o leito marinho para capturar espécies que vivem próximas aos sedimentos

Áreas submetidas à pesca intensiva de arrasto apresentam níveis menores de carbono orgânico armazenado nos sedimentos marinhos. A conclusão é de um estudo liderado pelo National Oceanography Centre (NOC), do Reino Unido, e publicado na revista científica Ambio.

A pesquisa analisou sedimentos do cinturão de lama do oeste do Mar da Irlanda, considerado um dos sistemas marinhos de plataforma com maior intensidade de arrasto do mundo. A região também sustenta uma importante atividade comercial de captura do lagostim Nephrops norvegicus.

Os pesquisadores compararam locais submetidos a diferentes níveis de atividade pesqueira. Os pontos mais atingidos pelo arrasto apresentaram menor quantidade de carbono orgânico do que as áreas menos perturbadas.

Sedimentos lamosos funcionam como reservatórios naturais de carbono. Parte da matéria orgânica que chega ao fundo do mar pode permanecer armazenada por longos períodos, evitando seu retorno imediato ao ciclo atmosférico.

Análise alcançou sedimentos acumulados durante 160 anos

Uma diferença do novo trabalho em relação a pesquisas anteriores está na profundidade analisada. Enquanto muitos estudos se concentram nos dez centímetros superficiais do fundo do mar, a equipe investigou os 50 centímetros superiores dos sedimentos.

Essa camada reúne materiais acumulados ao longo de aproximadamente 160 anos. Com isso, foi possível avaliar de maneira mais ampla a relação entre a atividade pesqueira e as mudanças no estoque de carbono durante períodos prolongados.

Na pesca de arrasto de fundo, redes pesadas são puxadas sobre o leito marinho para capturar espécies que vivem próximas aos sedimentos. O contato dos equipamentos com o fundo pode revolver materiais acumulados e alterar as características físicas e biológicas do ambiente.

Efeitos e fatores

Os resultados não significam que todo tipo de arrasto produz impactos idênticos. Os efeitos dependem de fatores como frequência da atividade, tipo de sedimento, profundidade, equipamentos utilizados e características ecológicas de cada região.

A pesquisa reforça, entretanto, a necessidade de considerar o carbono armazenado no leito marinho nas políticas de ordenamento pesqueiro e de proteção ambiental. Os autores avaliam que as evidências poderão auxiliar governos na definição de medidas capazes de limitar perturbações em áreas sensíveis.

O trabalho foi financiado pelo governo da Ilha de Man no âmbito do Manx Blue Carbon Project e realizado em colaboração com as universidades de Swansea, Southampton e Bangor.

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