A multinacional de engenharia Seatrium identifica o Brasil como um mercado promissor para a geração eólica offshore, mas condiciona o planejamento de novos investimentos ao avanço da regulamentação. A companhia de Singapura, que opera estaleiros em Angra dos Reis, Aracruz e Navegantes, avalia que sua estrutura instalada no país poderia atender à fabricação de subestações e embarcações especializadas.
As subestações offshore recebem a energia produzida pelos aerogeradores, elevam sua tensão e permitem a transmissão até o sistema elétrico em terra. Já as embarcações especializadas são utilizadas na instalação, manutenção e apoio aos parques, criando uma cadeia que ultrapassa a fabricação das próprias turbinas.
A experiência brasileira na indústria naval, na engenharia offshore e nas operações de petróleo e gás é vista como uma vantagem para o desenvolvimento desse mercado. Estaleiros, fornecedores e profissionais que já atuam no segmento podem adaptar competências para atender à nova fonte de energia.
Definição de regras
O início dos projetos, entretanto, depende da definição de regras para cessão das áreas marítimas, licenciamento, conexão ao sistema elétrico e realização dos futuros leilões. Sem essa previsibilidade, empresas evitam comprometer recursos em instalações e equipamentos de alto valor.
O Brasil possui a Lei nº 15.097/2025, que instituiu o marco legal para o aproveitamento energético no mar, mas a operacionalização do mercado ainda exige normas complementares. A demora afeta não somente os desenvolvedores dos parques, mas toda a cadeia industrial interessada em se preparar para as futuras encomendas.
O posicionamento da Seatrium mostra que o potencial natural, isoladamente, não garante investimentos. Para transformar os ventos da costa brasileira em atividade econômica, o país precisa reduzir a incerteza regulatória e definir uma sequência previsível para os primeiros projetos.






