Pesquisadores em Palau, na Micronésia, estão utilizando caixas térmicas comuns para identificar corais com maior resistência ao aquecimento do oceano. A solução de baixo custo pode ajudar projetos de restauração a selecionar indivíduos com melhores chances de sobreviver às ondas de calor marinhas.
No teste, fragmentos de diferentes colônias são colocados em recipientes cuja temperatura é elevada gradualmente. Os pesquisadores acompanham o processo de branqueamento e identificam os corais que mantêm suas cores por mais tempo, um possível sinal de maior tolerância térmica.
Esses fragmentos podem ser cultivados em viveiros e posteriormente transplantados para áreas degradadas. O objetivo é evitar que projetos invistam tempo e recursos na recuperação de corais que não resistirão às temperaturas esperadas para os próximos anos.
Os equipamentos utilizados no procedimento custam menos de US$ 1 mil, o que torna a técnica acessível a comunidades e organizações sem grandes laboratórios. Os testes podem ser concluídos em poucos dias, enquanto métodos mais detalhados exigem semanas e estruturas especializadas.
Pesca e turismo
A inovação tem importância econômica para Palau, onde a pesca e o turismo associados aos recifes respondem por mais de um quarto do Produto Interno Bruto. Em toda a região da Ásia-Pacífico, estima-se que os recifes movimentem cerca de US$ 25 bilhões por ano apenas por meio dessas duas atividades.
Os cientistas ressaltam, contudo, que ainda é necessário confirmar se o desempenho nos testes rápidos corresponde à sobrevivência dos corais no ambiente natural. A técnica não elimina a necessidade de reduzir as emissões, mas pode diminuir as perdas dos projetos de restauração enquanto os oceanos continuam aquecendo.






