A I Squared Capital apresentou a maior proposta vinculante recebida até o momento pelo Porto Sudeste, terminal privado localizado na Baía de Sepetiba, em Itaguaí, no Rio de Janeiro. A oferta avalia o ativo em aproximadamente US$ 4 bilhões, segundo informações do Pipeline.
O valor permanece abaixo dos US$ 5 bilhões inicialmente pretendidos pelos controladores do porto, a trading de commodities Trafigura e a Mubadala Capital, braço de gestão de ativos ligado ao fundo soberano de Abu Dhabi. As negociações são privadas e a apresentação da maior proposta não assegura a conclusão do negócio.
A I Squared é uma gestora norte-americana especializada em investimentos de infraestrutura. No Brasil, o fundo ampliou recentemente sua presença ao adquirir o controle da Elea Data Centers e uma participação de 49% na empresa de geração distribuída Órigo Energia.
Disputa pelo terminal
A disputa pelo terminal também conta com um consórcio formado pela mineradora Vale, pela siderúrgica Gerdau e pela Global Infrastructure Partners (GIP), gestora controlada pela BlackRock. O grupo apresentou uma proposta concorrente, mas de valor inferior ao ofertado pela I Squared, conforme a reportagem.
Inaugurado em 2015, o Porto Sudeste é especializado na movimentação de granéis sólidos, sobretudo minério de ferro, e também opera granéis líquidos ligados à indústria de petróleo e gás. O terminal tem capacidade atual para movimentar até 50 milhões de toneladas por ano e possui licença para uma futura expansão a 100 milhões de toneladas.
Em 2025, o porto embarcou o recorde de 27,8 milhões de toneladas de minério de ferro, acima das 21,9 milhões de toneladas registradas no ano anterior. A operação conecta, por ferrovia, produtores do Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais aos mercados internacionais, com destaque para os países asiáticos.
A concorrência pelo Porto Sudeste evidencia o valor estratégico de terminais com capacidade disponível e acesso à malha ferroviária. Para investidores financeiros, o ativo oferece potencial de expansão e receitas de longo prazo; para mineradoras e siderúrgicas, representa maior controle sobre o escoamento da produção. Caso o consórcio que inclui a Vale avance, porém, a concentração da infraestrutura exportadora deverá receber atenção especial dos órgãos de defesa da concorrência.






