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Tecnologia brasileira combate bioincrustações em navios e estruturas offshore

A bioincrustação ainda contribui para transportar espécies invasoras entre diferentes regiões.

Uma tecnologia desenvolvida no Brasil utiliza campos eletromagnéticos para impedir a fixação de organismos marinhos em embarcações e estruturas offshore. A solução da BioRen foi criada para combater as bioincrustações sem o uso de biocidas ou metais potencialmente prejudiciais ao ambiente.

O sistema vem sendo desenvolvido e testado desde 2014. A proposta é proteger cascos, caixas de mar, filtros, tubulações e sistemas de resfriamento contra o acúmulo de algas, bactérias, moluscos, corais e outros organismos.

Embora seja um processo natural, a bioincrustação interfere na eficiência das embarcações. O aumento da resistência do casco à água pode elevar o consumo de combustível, reduzir a velocidade e aumentar as emissões.

Problema afeta custos e biodiversidade

Em navios e plataformas, o acúmulo de organismos também pode obstruir sistemas essenciais e exigir limpezas, mergulhos técnicos ou paradas para manutenção. Estimativas citadas pelo setor apontam que os prejuízos globais associados ao problema podem alcançar US$ 100 bilhões.

A bioincrustação ainda contribui para transportar espécies invasoras entre diferentes regiões. Organismos aderidos a cascos e estruturas podem ser levados a ecossistemas nos quais não possuem predadores naturais.

No Brasil, um dos casos mais conhecidos é o coral-sol, espécie originária do Indo-Pacífico que se espalhou por diferentes trechos da costa e passou a disputar espaço com organismos nativos.

Testes são realizados em operação real

A tecnologia da BioRen gera um campo eletromagnético destinado a dificultar a fixação e o desenvolvimento dos organismos nas superfícies protegidas. De acordo com informações divulgadas pela empresa, testes registraram redução superior a 90% no crescimento de espécies invasoras em comparação com estruturas sem o sistema.

A solução também está sendo avaliada em um navio-sonda que opera na costa brasileira. O acompanhamento deverá verificar seu desempenho durante um ano em condições reais de operação.

O desenvolvimento de tecnologias preventivas pode reduzir os gastos com manutenção, melhorar a eficiência energética das embarcações e diminuir o risco de disseminação de espécies invasoras. A bioincrustação, portanto, não representa apenas um desafio operacional: ela interfere diretamente nos custos e na sustentabilidade da economia marítima.

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