A velocidade com que a temperatura do planeta aumenta pode ter papel tão importante quanto o nível final de aquecimento na estabilidade da Circulação Meridional de Revolvimento do Atlântico (AMOC). A conclusão faz parte de um estudo publicado na quinta-feira, 13 de agosto, na revista científica Nature Climate Change.
A AMOC funciona como um grande sistema de circulação de águas no Oceano Atlântico, transportando calor e influenciando padrões climáticos em diferentes regiões do planeta. Há anos, cientistas investigam a possibilidade de um enfraquecimento expressivo do sistema em decorrência das mudanças climáticas.
Variável relevante
O novo trabalho acrescenta uma variável relevante a esse debate. Em simulações climáticas com aumento mais lento das temperaturas, o oceano teve tempo para promover ajustes que ajudaram a estabilizar a circulação. Já quando o aquecimento ocorreu rapidamente, esses mecanismos não conseguiram acompanhar a transformação do clima.
Segundo os pesquisadores, isso significa que definir o risco da AMOC apenas a partir de um determinado nível de temperatura pode ser insuficiente. O histórico e a velocidade da mudança também precisam ser considerados na avaliação de possíveis pontos críticos do sistema.
Modelos analisados no estudo indicam que sinais associados ao início de um colapso podem surgir em torno de 2,5°C de aquecimento global, considerando as taxas atualmente projetadas. Nesse cenário, esse nível poderia ser alcançado por volta de 2060. Os autores ressaltam, entretanto, que há incertezas importantes e que o comportamento da AMOC depende de diferentes processos físicos e das condições climáticas existentes.
A pesquisa não significa que o colapso da circulação esteja determinado para essa data. O resultado reforça justamente a complexidade das projeções e mostra que diferentes trajetórias de aquecimento podem produzir respostas distintas do sistema oceânico.
As consequências de mudanças profundas na AMOC extrapolam a dinâmica do oceano. Alterações nessa circulação podem afetar regimes de chuva, temperaturas, ecossistemas, atividades pesqueiras e condições das regiões costeiras. Por isso, compreender melhor seus mecanismos é relevante também para políticas de adaptação climática e planejamento econômico de longo prazo.






