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Transpetro investirá R$ 42 milhões para reduzir emissões da frota de navios

A Transpetro anunciou recentemente um investimento de R$ 42 milhões em iniciativas de descarbonização entre 2026 e 2030. O valor supera os R$ 37 milhões aplicados no ciclo anterior, entre 2022 e 2025, que contemplou a frota de 32 navios da companhia.

Segundo a empresa, os investimentos anteriores permitiram evitar a emissão de 55 mil toneladas de dióxido de carbono. As ações envolveram tecnologias destinadas a reduzir o consumo de combustível e melhorar o desempenho energético das embarcações.

Entre as soluções previstas estão tintas anti-incrustação, capazes de reduzir as emissões entre 10% e 20%, modificações no casco e no sistema propulsor, limpeza realizada por robôs e algoritmos para otimização de rotas. A companhia também pretende conectar os navios à rede elétrica durante a permanência nos portos, permitindo o desligamento dos geradores auxiliares a combustão. O Porto do Pecém, no Ceará, está entre os terminais que deverão oferecer essa infraestrutura.

A estratégia também alcança os 16 navios encomendados pela Transpetro — quatro embarcações do tipo Handy, oito gaseiros e quatro petroleiros MR1. Os navios serão equipados com motores bicombustíveis, preparados para utilizar etanol como alternativa ao combustível marítimo convencional. Essa alternativa é defendida pela companhia e pela Marinha do Brasil como uma possível solução nacional para a transição energética no transporte marítimo.

A Transpetro já realizou testes com misturas de 10%, 24% e 30% de biocombustível no bunker, sem identificar interferências no funcionamento dos motores. De acordo com a empresa, o uso dessas misturas também evitou cerca de 440 mil euros em penalidades relacionadas à cobrança de carbono.

Durante a Navalshore, o diretor de Transporte Marítimo da Transpetro, Jones Soares, destacou que a indefinição sobre o combustível marítimo predominante nas próximas décadas ainda dificulta as decisões de investimento. Entre as alternativas em discussão mundial estão etanol, metanol, gás natural liquefeito e amônia, cada uma com diferentes exigências de infraestrutura, segurança e redução de emissões.

O avanço regulatório também pressiona as empresas do setor. Além das regras sobre teor de enxofre no combustível e tratamento da água de lastro, os armadores precisam se preparar para a estratégia da Organização Marítima Internacional, que estabelece a meta de emissões líquidas zero na navegação até aproximadamente 2050.

Ao combinar melhorias de eficiência com o uso progressivo de biocombustíveis, a Transpetro busca reduzir emissões sem depender imediatamente de uma única tecnologia. A aposta no etanol pode aproveitar a experiência brasileira na produção e distribuição do combustível, mas sua adoção em escala marítima dependerá de disponibilidade nos portos, certificação ambiental e reconhecimento pelas regras internacionais de contabilização de carbono.

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