O estado de Victoria abriu a primeira disputa australiana para contratação de energia eólica offshore. O processo selecionará projetos com capacidade conjunta de 2 gigawatts na costa de Gippsland, primeira região marítima do país oficialmente destinada a esse tipo de geração.
Segundo o governo estadual, a capacidade prevista seria suficiente para abastecer aproximadamente 1,5 milhão de residências por ano. As empresas interessadas poderão apresentar propostas até agosto de 2027, e os contratos deverão ser adjudicados em 2028.
Os projetos serão avaliados com base no custo, na capacidade de entrega e nos benefícios oferecidos a trabalhadores, empresas e comunidades locais. Também serão considerados compromissos de conteúdo regional, formação profissional, participação dos povos tradicionais e compartilhamento de benefícios.
Mecanismo de apoio financeiro
Os contratos deverão adotar um mecanismo de apoio financeiro semelhante aos contratos por diferença. O modelo busca garantir previsibilidade de receita aos investidores em um setor afetado nos últimos anos pela alta dos custos, pelas dificuldades da cadeia de fornecedores e por adiamentos de projetos.
A infraestrutura portuária aparece como um dos principais gargalos. O próprio governo de Victoria reconhece que os portos australianos ainda não possuem todas as instalações necessárias para receber, montar e transportar componentes de grandes turbinas offshore. O plano inclui o desenvolvimento de um terminal de energia renovável no Porto de Hastings.
A disputa representa a passagem do planejamento para a contratação, mas a primeira geração só é esperada na próxima década. O intervalo entre o fechamento de usinas a carvão e a entrada da energia eólica marítima mostra que metas de capacidade precisam ser acompanhadas por portos, linhas de transmissão, fornecedores e mecanismos financeiros capazes de sustentar os projetos até a operação.






