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Greves afetam grandes portos do Norte da Europa e ampliam risco de atrasos logísticos

Uma sequência de paralisações trabalhistas nos últimos dias começou a afetar alguns dos principais portos do Norte da Europa, aumentando a pressão sobre uma cadeia logística que já enfrenta congestionamentos e atrasos. Trabalhadores portuários iniciaram ações em terminais da Alemanha, enquanto sindicatos da Holanda convocaram paralisações em portos como Rotterdam, Amsterdam e Zeeland.

Na Alemanha, o sindicato Ver.di convocou um movimento de advertência com duração de 48 horas em Hamburgo, Bremen, Bremerhaven, Wilhelmshaven, Emden e Brake. Cerca de 11 mil trabalhadores são abrangidos pela negociação coletiva em andamento.

O conflito envolve a proposta salarial apresentada pelos empregadores, de aumento de 5,1% com vigência de 18 meses. O sindicato reivindica elevação de 8,2%, ou pelo menos € 2,50 adicionais por hora, com contrato de 12 meses. O impasse já havia provocado uma paralisação de 24 horas em agosto, quando parte da movimentação de cargas foi reduzida ou interrompida.

Seguridade social

Na Holanda, sindicatos convocaram trabalhadores dos portos de Rotterdam, Amsterdam e Zeeland para uma paralisação em 4 de setembro. A mobilização esteve relacionada a propostas de mudanças no sistema de seguridade social do país. Serviços como atracação, amarração, movimentação de cargas, reboque e inspeções sofreram impactos.

A situação ocorre quando importantes hubs da região já enfrentam congestionamento. Dados citados pelo Maritime Executive indicam que aproximadamente 5% da capacidade mundial de navegação oceânica, equivalente a 1,7 milhão de TEU, estava retida em atrasos, congestionamentos e outros entraves. Rotterdam, Hamburgo e Bremerhaven estavam entre os portos mais congestionados, com mais de 160 mil TEU aguardando fundeados nos três complexos.

A combinação de greve e congestionamento pode produzir efeitos para além dos terminais diretamente afetados. Quando grandes hubs europeus perdem capacidade temporariamente, escalas podem ser remanejadas, contêineres ficam retidos e conexões ferroviárias, rodoviárias e fluviais também acumulam atrasos. Para cadeias marítimas organizadas em torno de horários cada vez mais apertados, poucos dias de interrupção em portos estratégicos podem gerar repercussões que levam semanas para serem absorvidas.

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