Por Antonio Ruy de Almeida Silva*
O mar é uma enorme fonte de prosperidade para as nações. Ele fornece alimentos, energia, riqueza, empregos e conhecimento; conecta países por meio do comércio e dos cabos submarinos e é um espaço onde se projeta poder.
Por isso, entender o mar é entender uma parte importante do poder e do desenvolvimento econômico de um país.
Essa multiplicidade de possibilidades pode ser resumida no que defino como o “conceito de poder capacitador dos oceanos: a capacidade que têm os oceanos de possibilitar a vida na Terra, de gerar riqueza para as nações, de permitir a circulação de pessoas e mercadorias, de possibilitar a transmissão de voz e dados por meio dos cabos submarinos e de facilitar a projeção de poder militar no nível local, regional e global.”
A economia azul é o componente econômico desse poder capacitador dos oceanos, que vai muito além da exploração de recursos marinhos.
Ela reúne atividades como navegação, portos, pesca, turismo costeiro, energia eólica offshore, biotecnologia marinha, cabos submarinos e indústria naval civil e de defesa.
O Brasil tem uma posição privilegiada nesse cenário. A Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, em vigor desde 1994, estabeleceu um conjunto de direitos e responsabilidades dos Estados sobre seus espaços marítimos. Fruto da Convenção, o Brasil ganhou uma extensa área marítima denominada de “Amazônia Azul”.
Mas uma grande área marítima não significa apenas oportunidades. Significa também responsabilidade. É preciso conhecer, monitorar e proteger o mar e as linhas de comunicação marítimas, combater atividades ilícitas, preservar seus ecossistemas e garantir condições para que as atividades econômicas possam crescer.
É aí que economia e segurança se encontram. Uma economia azul sustentável depende, de insumos como recursos financeiros, ciência, tecnologia, infraestrutura e profissionais qualificados. Mas, depende, também, de uma Marinha de Guerra capaz de proteger o espaço marítimo contra ameaças aos interesses nacionais.
O grande desafio brasileiro é transformar o potencial da Amazônia Azul em desenvolvimento, inovação, empregos e riqueza, sem destruir os recursos que tornam esse desenvolvimento possível.
O mar pode ser uma enorme fonte de prosperidade. Mas, para continuar produzindo riqueza no futuro, precisa ser compreendido, utilizado e protegido hoje.
*Almirante (Ref.). Doutor em Relações Internacionais (PUC-Rio). Pesquisador Sênior do Núcleo de Estudos Avançados do INEST/UFF.






