A Comissão Europeia anunciou um investimento inicial de € 92 milhões na iniciativa OceanEye, criada para ampliar a capacidade de observação dos mares e consolidar a União Europeia como uma das principais fornecedoras mundiais de informações oceanográficas até 2035.
O programa prevê o uso integrado de embarcações de pesquisa, satélites, sensores, inteligência artificial e veículos submarinos autônomos. As tecnologias serão empregadas na coleta de dados sobre temperatura, correntes, nível do mar, biodiversidade, acidificação, poluição e mudanças nos ecossistemas.
Dos recursos anunciados, € 50 milhões serão destinados ao fortalecimento da participação europeia no Sistema Global de Observação do Oceano. Outros € 12 milhões apoiarão infraestruturas de armazenamento, compartilhamento e acesso a dados, enquanto € 30 milhões serão direcionados a startups e projetos de inovação oceânica.
Gêmeo Digital do Oceano Europeu
A OceanEye também deverá acelerar o desenvolvimento do Gêmeo Digital do Oceano Europeu, uma representação virtual atualizada com dados de diferentes fontes. Prevista para estar plenamente operacional até 2030, a plataforma poderá ser utilizada por pesquisadores, governos e empresas na simulação de eventos e no planejamento de atividades marítimas.
A Comissão Europeia pretende ampliar sua contribuição para o sistema mundial de observação dos atuais 25% para 35% até 2035. A iniciativa ocorre em um contexto de maior demanda por informações capazes de antecipar ondas de calor marinhas, tempestades, alterações nas pescarias e riscos para cidades costeiras.
O programa também tem uma dimensão industrial. Ao reservar € 30 milhões para inovação, a União Europeia procura estimular um mercado de drones subaquáticos, sensores, plataformas digitais e serviços de inteligência oceânica com aplicações em portos, navegação, energia offshore, pesca e proteção ambiental.
A observação oceânica está se tornando uma infraestrutura econômica comparável aos sistemas meteorológicos e de navegação. Países capazes de produzir, integrar e interpretar dados terão melhores condições de proteger suas costas e planejar atividades no mar. Para o Brasil, a iniciativa europeia reforça a importância de ampliar investimentos próprios e evitar dependência externa em informações estratégicas sobre a Amazônia Azul.






