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Crise no Estreito de Ormuz mantém 6 mil marítimos presos em navios

O Estreito de Ormuz é um dos corredores mais importantes para o comércio marítimo de petróleo e gás.

O Estreito de Ormuz é um dos corredores mais importantes para o comércio marítimo de petróleo e gás.

Cerca de 6 mil trabalhadores permanecem retidos em 500 embarcações no Golfo, segundo estimativa da Organização Marítima Internacional (IMO). Os navios não conseguem deixar a região com segurança devido ao conflito e às restrições no Estreito de Ormuz.

De acordo com informações do  The Guardian, o bloqueio chegou a atingir até 20 mil marítimos ao longo da crise, iniciada em fevereiro. Parte das embarcações conseguiu sair durante breves períodos de cessar-fogo, mas milhares de tripulantes continuam sem previsão de retorno.

Desde o início das hostilidades, 17 marítimos morreram na região. Os trabalhadores estão expostos a ataques com mísseis e drones, embora os navios mercantes e suas tripulações não estejam preparados para situações de combate.

Tráfego caiu para pouco mais de 10% do nível anterior

Entre 27 de julho e 2 de agosto, 84 embarcações atravessaram o estreito, incluindo navios ligados ao Irã. Antes do conflito, a média era de aproximadamente 700 movimentos por semana.

O Estreito de Ormuz é um dos corredores mais importantes para o comércio marítimo de petróleo e gás. A redução do tráfego afeta o abastecimento energético, os fretes, os seguros e a programação das cadeias internacionais.

Análises da Lloyd’s List indicam que dezenas de grandes petroleiros permanecem retidos no Golfo desde fevereiro. Outros entraram na região durante uma breve trégua, mas não conseguiram sair antes da retomada dos ataques.

Tripulações enfrentam desgaste psicológico

Além do risco físico, a permanência prolongada a bordo provoca incerteza e pressão emocional. Algumas tripulações recebem água, alimentos e outros suprimentos transportados por embarcações menores, mas as possibilidades de desembarque ou substituição são limitadas.

A IMO reforça que os marítimos são trabalhadores civis e não devem ser transformados em vítimas de conflitos armados. A crise evidencia a vulnerabilidade humana por trás das cadeias globais: a maior parte das mercadorias comercializadas no mundo depende do transporte marítimo e do trabalho dessas tripulações.

Negociações mediadas por Omã tentam restabelecer condições seguras de passagem. Até que uma solução seja alcançada, milhares de trabalhadores continuam expostos a uma região de alto risco, sem saber quando poderão deixar seus navios.

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