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Risco cibernético marítimo passa a exigir decisões da alta administração

A segurança cibernética está deixando de ser uma atribuição restrita aos departamentos de tecnologia e ganhando espaço nas decisões dos conselhos de administração do setor marítimo. A mudança é impulsionada pela digitalização das operações e por regras europeias que ampliam as responsabilidades das empresas diante de incidentes.

A Diretiva NIS2 da União Europeia determina medidas relacionadas à gestão de riscos digitais, comunicação de ataques e segurança da cadeia de fornecedores. Já a Diretiva de Resiliência de Entidades Críticas amplia o foco para a continuidade operacional, a proteção física, a gestão de crises e a recuperação de atividades essenciais.

Para portos e empresas de navegação, um ataque digital pode produzir efeitos imediatos no mundo físico. Sistemas de terminais, controles de guindastes, plataformas de gestão de frota, redes de comunicação e ferramentas de manutenção em nuvem estão cada vez mais conectados.

Consequências

Uma falha nesses ambientes pode interromper a movimentação de cargas, atrasar navios, comprometer informações comerciais e afetar a segurança das operações. Por isso, as novas normas cobram capacidade de resposta e recuperação, além das medidas destinadas a impedir invasões.

Os fornecedores de tecnologia representam outro ponto de atenção. Empresas marítimas podem terceirizar sistemas, comunicações e manutenção, mas continuam responsáveis pela conformidade e pela resiliência das operações reguladas.

Contratos com terceiros deverão incluir padrões mínimos de segurança, direito de auditoria, comunicação rápida de incidentes e procedimentos coordenados de resposta. Testes de cenários, sistemas alternativos e planos de continuidade também ganham relevância.

A mudança regulatória reconhece que nenhum operador consegue impedir todos os ataques. Para o setor marítimo, a questão central passa a ser quanto tempo a empresa consegue manter ou recuperar suas atividades após uma ocorrência. Em cadeias logísticas interdependentes, a maturidade cibernética de um único terminal, navio ou fornecedor pode afetar vários elos do comércio internacional.

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