No dia 19 de setembro, o Dia Mundial de Limpeza de Rios e Praias reúne pessoas em diferentes locais para a coleta de resíduos em praias, rios e outros ambientes aquáticos. A atividade, no entanto, pode ir além da retirada do lixo: observar o que é encontrado durante a limpeza ajuda a identificar os materiais mais comuns e levantar discussões sobre de onde eles vêm e como chegam à natureza.
Para Alexander Turra, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN), professor titular do Instituto Oceanográfico da USP e responsável pela Cátedra UNESCO para a Sustentabilidade do Oceano, as ações também podem ser uma oportunidade de aproximar ciência e sociedade. Segundo o pesquisador, embora a quantidade de resíduos recolhidos possa variar bastante de acordo com o local e o esforço de cada grupo, identificar os tipos de materiais encontrados traz informações importantes sobre o problema.
Resíduos recorrentes
Bitucas de cigarro, embalagens e outros itens plásticos estão entre os resíduos mais recorrentes encontrados nas ações. A partir da análise desse material, o Programa “Entenda o Lixo”, desenvolvido no âmbito da Cátedra UNESCO para Sustentabilidade do Oceano, da qual Turra faz parte, propõe olhar para o que é encontrado nas praias e fazer perguntas como: o que é esse lixo? De onde veio? Como chegou até o ambiente? E o que pode ser feito para evitar que esse resíduo volte a ser descartado na natureza?
“A limpeza não precisa terminar quando o lixo é retirado da praia. É importante aproveitar esse momento para que cada pessoa reflita sobre o que pode fazer, seja como cidadão, estudante, profissional ou empresário, para reduzir a geração e o descarte inadequado de resíduos”, afirma Turra.
O tema também será abordado na Rio Ocean Week 2026, que ocorre de 17 a 20 de setembro, no Museu do Amanhã e no Complexo Cultural da Marinha, no Rio de Janeiro. A iniciativa reúne especialistas e organizações para discutir questões relacionadas à conservação do oceano e a poluição marinha entre os temas da programação. Turra é um dos organizadores e palestrantes do evento.
Sobre a Rede de Especialistas em Conservação da Natureza
A Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN) reúne cerca de 80 profissionais de todas as regiões do Brasil e alguns do exterior que trazem ao trabalho que desenvolvem a importância da conservação da natureza e da proteção da biodiversidade. São juristas, urbanistas, biólogos, engenheiros, ambientalistas, cientistas, professores universitários – de referência nacional e internacional – que se voluntariaram para serem porta-vozes da natureza, dando entrevistas, trazendo novas perspectivas, gerando conteúdo e enriquecendo informações de reportagens das mais diversas editorias. Criada em 2014, a Rede é uma iniciativa da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza.

Jornalista com mais de 15 anos de experiência nas áreas de economia e desenvolvimento sustentável. É editor do site Revista Economia do Mar.






