Por Pablo Cesário*
A capacidade de transformar o patrimônio mineral em divisas depende de uma cadeia contínua, que começa no subsolo e termina no comprador internacional.
Segundo o Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), o Brasil exportou cerca de 431 milhões de toneladas de produtos minerais em 2025 e obteve saldo comercial mineral de US$ 37,6 bilhões, equivalente a 55% do superávit brasileiro. Nesse percurso, portos e navegação integram a infraestrutura produtiva do setor.
O minério de ferro respondeu por cerca de 97% do volume de produtos minerais exportados pelo país em 2025 e mostra como beneficiamento e controle de qualidade influenciam a competitividade do produto destinado ao mercado externo. Entre as etapas industriais aplicadas ao mineral está a que resulta em pelotas com características específicas para atender às exigências do mercado siderúrgico internacional.
A Ásia concentra a maior parcela das vendas externas porque a China, sozinha, recebeu 69,2% do volume mineral exportado pelo Brasil em 2025. Nesse mercado, o país concorre com a Austrália, produtora de minério de ferro e geograficamente mais próxima da Ásia.
O percurso do minério brasileiro até a China é 3,3 vezes maior, informa a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), razão pela qual um minério competitivo no porto ainda precisa continuar competitivo até o cliente.
Essa desvantagem reforça a importância de portos eficientes e de transporte marítimo de excelência. O Ministério de Portos e Aeroportos afirma que aproximadamente 95% do comércio internacional brasileiro ocorre por via marítima.
Segundo a Agência Nacional de Transportes Aquaviários (ANTAQ), o minério de ferro foi a principal mercadoria movimentada nos portos brasileiros em 2025, com 425,8 milhões de toneladas, equivalentes a 30% de toda a movimentação portuária do país.
O fato agora é que o sistema logístico precisa se preparar desde já para uma mudança no perfil das exportações minerais. O projeto que institui a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, aprovado pelo Congresso e encaminhado à sanção presidencial, estimula beneficiamento e transformação mineral no país.
O esperado adensamento de cadeias industriais deverá levar aos terminais portuários produtos em etapas mais avançadas de processamento, com outras exigências de armazenagem, manuseio e transporte.
Planejar essa adaptação agora ajudará o Brasil a ampliar o valor exportado e preservar sua competitividade nos mercados globais.
*Diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM)






