A Associação Náutica Brasileira (Acatmar) iniciou uma mobilização nacional em defesa da oferta de gasolina com 10% de etanol, a E10, nos postos de combustíveis do país. A entidade argumenta que a alternativa atenderia embarcações e equipamentos náuticos que não foram projetados para operar com os percentuais atualmente adotados no Brasil.
O tema é objeto da Ideia Legislativa “Disponibilização de Gasolina Pura e Gasolina E10 em Todo o Território Nacional”, aberta para votação no Portal e-Cidadania do Senado Federal. A proposta prevê a comercialização adicional e facultativa da E10 e da gasolina sem etanol, sem substituir ou alterar os combustíveis já disponíveis no mercado.
Em consulta realizada no dia 29 de julho, a iniciativa acumulava mais de 18 mil apoios. Caso alcance 20 mil manifestações favoráveis até 19 de novembro de 2026, será convertida em Sugestão Legislativa e encaminhada para análise dos senadores.
Teor de etanol preocupa proprietários e empresas
A gasolina comum vendida atualmente no Brasil contém 30% de etanol anidro, enquanto a premium possui 25%. Segundo a Acatmar, parte dos motores marítimos, motos aquáticas, geradores e outros equipamentos empregados no setor foi desenvolvida para combustíveis com, no máximo, 10% de etanol.
Fabricantes como Mercury Marine, Yamaha e Sea-Doo estabelecem esse limite em suas orientações técnicas para determinados motores. A compatibilidade, no entanto, depende do modelo e do ano de fabricação e deve ser conferida no manual de cada equipamento.
A preocupação do setor também está relacionada às condições específicas de uso das embarcações. Barcos podem permanecer longos períodos parados, possuem tanques de maior capacidade e operam em ambientes com elevada umidade.
Como o etanol absorve água, o armazenamento prolongado pode favorecer a separação de fases, processo no qual a mistura de água e álcool se deposita no fundo do tanque. Combustíveis com maior teor de etanol também podem apresentar incompatibilidade com mangueiras, vedações, peças plásticas, sistemas de alimentação e tanques antigos.
Efeitos alcançam a cadeia náutica
A Acatmar afirma que a falta de combustíveis alternativos afeta não apenas os proprietários de embarcações, mas também marinas, oficinas, garagens náuticas, locadoras, empresas de turismo, escolas de formação, pescadores, fabricantes e prestadores de serviços.
Entre os possíveis impactos estão o aumento das manutenções, a deterioração antecipada de componentes, dificuldades de partida, falhas durante o funcionamento e riscos relacionados à garantia dos equipamentos.
A entidade sustenta que a oferta da E10 permitiria ao consumidor escolher um combustível adequado às recomendações do fabricante, com identificação clara nas bombas.
Entidade afirma que proposta não se opõe aos biocombustíveis
Segundo a associação, a mobilização não representa uma oposição ao etanol nem à política brasileira de transição energética. A elevação da mistura da gasolina comum para 30% entrou em vigor em agosto de 2025 como parte das medidas nacionais de descarbonização e segurança energética.
O pedido é pela criação de uma opção complementar destinada a motores e equipamentos com exigências técnicas específicas, mantendo os combustíveis atualmente comercializados.
A proposta permanece aberta para manifestações no Portal e-Cidadania do Senado Federal. A Acatmar espera que a mobilização leve o tema ao debate legislativo e permita avaliar seus efeitos sobre a segurança, os custos e a operação da cadeia náutica.






