O litoral do Rio Grande do Sul ganhou, recentemente, uma nova área de proteção ambiental com a criação do Parque Nacional do Albardão. Localizada no município de Santa Vitória do Palmar, a unidade de conservação possui 1.001.480 hectares e abrange uma faixa costeira de aproximadamente 160 quilômetros.
O parque se estende da praia até cerca de 180 quilômetros mar adentro. Na mesma região, também foi criada uma Área de Proteção Ambiental (APA) de 55.983 hectares, destinada à conservação da zona costeira e à compatibilização da proteção ambiental com atividades econômicas de baixo impacto.
O decreto presidencial que instituiu as duas unidades foi publicado no Diário Oficial da União no dia 6 de março. Os estudos para proteger a região, entretanto, começaram há mais de três décadas e contaram com pesquisas da Universidade Federal do Rio Grande (FURG) e do Núcleo de Educação e Monitoramento Ambiental (Nema).

Proteção da toninha e recuperação da pesca
A criação do parque tem como um dos principais objetivos proteger espécies ameaçadas, especialmente a toninha, pequeno cetáceo encontrado no litoral sul da América do Sul. A área também abriga baleias, tubarões, raias, aves marinhas e outras espécies influenciadas pelas águas do mar patagônico.
De acordo com Eduardo Secchi, pesquisador do Instituto de Oceanografia da FURG, entre 2 mil e 4 mil toninhas morrem por ano em decorrência da atividade pesqueira. A restrição à pesca industrial na área protegida pode contribuir para reduzir essas mortes e evitar a extinção da espécie.
Pesquisadores e organizações ambientais também esperam que o parque favoreça a recuperação dos estoques pesqueiros. Com a preservação das áreas de reprodução e alimentação, a fauna pode se recompor dentro da unidade e, posteriormente, beneficiar regiões próximas onde a pesca é permitida.
A Área de Proteção Ambiental criada no entorno permitirá atividades sustentáveis, como a pesca artesanal, conforme as regras que serão definidas para a unidade.
Turismo e economia local geram debate
Apesar do apoio de pesquisadores e ambientalistas, a criação do parque enfrenta resistência de parte da população de Santa Vitória do Palmar. Representantes do setor pesqueiro temem impactos sobre a atividade e questionam a capacidade de fiscalização da área, inclusive diante da presença de embarcações estrangeiras.
O prefeito André Salarayan também manifestou preocupação com possíveis restrições ao turismo off-road, já praticado na região, e à instalação de parques eólicos. Segundo ele, as regras para essas atividades dependerão do plano de manejo, que ainda será elaborado.
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) afirma que o processo contou com audiências públicas realizadas em abril de 2024 e que os parques nacionais podem receber atividades de visitação e ecoturismo. Para organizações ambientalistas, essas iniciativas poderão gerar novas oportunidades econômicas para a região.
A implementação do parque, a definição do plano de manejo e a estrutura de fiscalização serão determinantes para conciliar a conservação da biodiversidade com as atividades econômicas locais.
Com informações do Estadão.






