Papua-Nova Guiné, Vanuatu, Fiji e Ilhas Salomão avançam na criação de uma extensa rede de reservas marinhas conectadas no Pacífico. Batizada de Corredor de Reservas Oceânicas da Melanésia, a iniciativa pretende integrar áreas protegidas nacionais e alcançar, futuramente, regiões de alto-mar.
O projeto abrange uma das áreas de maior biodiversidade marinha do planeta. Localizada no chamado Triângulo de Coral, a região reúne recifes, tubarões, raias, dugongos, baleias e aproximadamente três quartos das espécies de coral conhecidas.
Entre as áreas previstas está um santuário de 214 mil quilômetros quadrados na região de Manus, em Papua-Nova Guiné, no qual atividades extrativas deverão ser proibidas. Vanuatu também prepara uma zona de proteção integral de aproximadamente 71 mil quilômetros quadrados na província de Torba, enquanto Fiji estabeleceu a meta de proteger 15% de suas águas até o final de 2026.
Ações coordenadas
Ao conectar as reservas, os países esperam preservar rotas migratórias, locais de reprodução e o deslocamento de larvas entre diferentes recifes. A estratégia parte do entendimento de que espécies e ecossistemas não obedecem às fronteiras políticas e, portanto, exigem ações coordenadas.
Além da conservação ambiental, o corredor deverá contribuir para a manutenção da pesca, do turismo e de outras atividades das quais dependem as comunidades costeiras da Melanésia. O desafio será conciliar as restrições de uso com a geração de renda e garantir recursos para monitorar uma área marítima de grandes proporções.
A experiência também pode servir de referência para outras regiões que compartilham ecossistemas e estoques pesqueiros. Ao tratar a conservação como uma política regional, os quatro países aproximam a proteção ambiental da gestão econômica dos recursos do oceano.






