A Hapag-Lloyd está ampliando sua presença para além do transporte de contêineres e colocando a operação de terminais no centro de sua estratégia global. Os resultados do primeiro semestre de 2026 mostram que a companhia continua expandindo o portfólio da Hanseatic Global Terminals (HGT), braço criado para concentrar os investimentos em infraestrutura portuária.
Entre os ativos incorporados à estratégia está o novo terminal de contêineres de Aracruz, no Espírito Santo. A HGT e o Grupo Imetame concluíram em junho a formação da Hanseatic Global Terminals Aracruz, sociedade que desenvolverá e operará a estrutura atualmente em construção. Cada parceiro possui 50% de participação.
Projetado para iniciar as operações em meados de 2028, o terminal deverá ter capacidade anual de aproximadamente 1,2 milhão de TEUs, 750 metros de cais e profundidade de 17 metros. Essas características permitirão receber uma nova geração de grandes porta-contêineres e operar tanto como porta de entrada e saída de mercadorias quanto como ponto de transbordo.
Conexão
A localização no Espírito Santo acrescenta uma alternativa à infraestrutura tradicionalmente concentrada nos grandes complexos do Sudeste. Para a HGT, Aracruz pode funcionar como conexão entre áreas produtoras brasileiras e as principais rotas marítimas internacionais, além de contribuir para ampliar a capacidade de movimentação de contêineres na costa leste do país.
O investimento brasileiro faz parte de um movimento muito mais amplo. Em 30 de junho, a Hapag-Lloyd possuía participações em 24 terminais marítimos distribuídos pela Europa, América Latina, Estados Unidos, Índia e Norte da África. A meta da HGT é superar 30 participações até 2030. Nos últimos meses, o grupo avançou ainda em ativos na Índia, Egito, Alemanha e Marrocos.
A expansão em terminais ocorre paralelamente à tentativa da Hapag-Lloyd de ampliar sua escala na navegação. A companhia mantém a expectativa de concluir até o fim deste ano a aquisição da israelense Zim, operação cuja aprovação regulatória continua em andamento. A combinação das duas estratégias indica uma busca por maior controle de diferentes etapas da cadeia do transporte marítimo.
Para Aracruz, a entrada de uma das maiores companhias globais de transporte de contêineres aumenta o peso estratégico do empreendimento antes mesmo do início das operações. Para a Hapag-Lloyd, o ativo brasileiro passa a integrar uma rede em que os terminais deixam de ser apenas pontos de escala e se tornam instrumentos para garantir capacidade, conectividade e maior domínio sobre os fluxos logísticos.






