Um novo estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) avança na caracterização dos ventos marítimos brasileiros e cria uma base técnica mais detalhada para o planejamento da futura indústria de energia eólica offshore no país. O levantamento identificou 20 regiões com características semelhantes de vento e três hotspots com as maiores velocidades médias ao longo da costa.
A análise faz parte da Nota Técnica “Avaliação do Recurso Eólico Offshore: Bases de Dados Disponíveis e Clusterização de Regiões”, publicada pela EPE em agosto. O trabalho compara informações de três bases de dados amplamente utilizadas em estudos eólicos: ERA5, MERRA-2 e Global Wind Atlas.
A partir do tratamento das séries temporais de vento, a EPE agrupou áreas marítimas que apresentam comportamentos semelhantes, considerando fatores como localização geográfica e variações diárias e sazonais. O resultado foi a divisão do litoral em 20 clusters, permitindo uma leitura mais detalhada das diferenças do recurso eólico entre as diversas regiões brasileiras.
Três grandes áreas
A análise também identificou três grandes áreas onde se encontram as maiores velocidades médias de vento observadas no levantamento. Além da nota técnica, a EPE disponibilizou um painel interativo com informações como séries horárias e anuais de velocidade, rosas dos ventos e parâmetros estatísticos para cada uma das regiões estudadas.
O mapeamento, porém, não equivale à definição automática das melhores áreas para implantação de parques. A velocidade dos ventos é apenas uma das variáveis que influenciam a viabilidade de um empreendimento. Profundidade do mar, distância da costa, conexão ao sistema elétrico, infraestrutura portuária, restrições ambientais e custos logísticos também precisam ser considerados.
A importância do estudo está justamente em tornar o debate sobre eólica offshore mais técnico. O Brasil já possui um reconhecido potencial natural, mas transformar esse recurso em projetos economicamente viáveis dependerá cada vez mais da qualidade dos dados, do planejamento da ocupação do espaço marítimo e da capacidade de integrar geração de energia, portos, indústria naval, transmissão elétrica e proteção ambiental.






